
Quando disseram que viria para o Vasco, fiquei com uma pulga atrás da orelha.
Os seus adjetivos não eram dos melhores, apesar de todos terem a plena consciência que com uma bola no pé o cara sabe tudo.
Problemático, desagregador, bad boy.
Para alguns, um enganador, sobrevivendo de firulas e toques de letra.
Um caso deveras curioso é verdade.
Quando adversário, apenas me causava repúdio.
Catimbeiro, firuleiro, um enganador de marca maior.
Mas ele veio para o Vasco.
Para a nossa imensa sorte.
Aos poucos eu vi que tê-lo nesse time era uma benção.
Uma espécie de oásis de talento.
Percebi que ele não era um firuleiro.
E agora faço o mea-culpa, por ter pedido aos meus volantes que lhe distribuíssem pancadas para ver se ele aprendia a ser homem.
Me envergonho disso.
Homem ele sempre foi, e mostrou esse ano ser um exemplo de homem.
Vestiu a camisa como poucos a vestiram.
Honrou a cruz como nós fazemos.
Abraçou a idéia e foi abraçado pela imensa torcida bem feliz.
Não seria justo se no jogo do acesso ele não estivesse presente.
E foi dos pés dele que saiu o gol salvador.
O golaço do ano só podia sair dos pés do craque.
E pela primeira vez no ano, ele beijou o escudo.
Não um beijo falso.
Um beijo igual ao que damos nas nossas camisas. Um beijo carregado de verdade.
Sim! Nós temos um ídolo!
Sim! Nós temos um capitão!
Sim! Carlos Alberto agora é Vascaíno!