terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Curiso caso de Celso Roth...


Celso Roth jamais foi um técnico de encher os olhos da torcida. É uma espécie de sujeito meio arredio, por vezes até antipático, por mais quem em suas entrevistas ele seja sempre correto e polido. É curioso isso mesmo, Celso Roth não consegue cativar o torcedor, a maioria já o olha com má vontade. Lembro-me dele no Vasco em 2007. O primeiro turno foi uma beleza que só, a ponto de sonharmos inclusive com o título. Vencer o Vasco dentro de São Januário era como subir de pé-pé a muralha da China. Proeza que, no primeiro turno, apenas o futuro campeão, São Paulo, conseguiu fazer. Perdemos o jogo apesar de termos mandado nele, especialmente no primeiro tempo. O reconhecimento veio das arquibancadas, na qual me fazia presente, e me juntei aos aplausos da melhor torcida do mundo.Na virada de turno, salvo engano, terminamos na zona de libertadores.
O segundo turno foi lamentável. A equipe do Vasco degringolou de vez. Passou a perder jogos fáceis em casa, a não mais vencer fora, e fomos ficando para trás, para trás, até chegarmos perigosamente próximos a zona de rebaixamento, embora de fato não tenhamos corrido grandes riscos naquele ano. Salvo outro engano, lembro de ouvir nossa torcida, quando em lua de mel no primeiro turno, exaltar o trabalho de Celso Roth. Tínhamos um time encaixadinho. São Januário foi palco de goleadas, e de cabeça lembro algumas. Goiás, Atlético Mineiro, Náutico, Santos, Um baile no rebaixado Corinthians, América de Natal, Grêmio. Mas como disse, o segundo turno foi de extrema decepção. E não tardou para a torcida logo crismá-lo "Burroth".

E é justamente isso que é o mais curioso no trabalho de Celso Roth. Suas equipes começam as competições a todo vapor, surpreendendo, vencendo e convencendo. Foi assim com o Vasco, foi assim, ano passado, com o Grêmio, e esta sendo esse ano com o Atlético Mineiro. As equipes começam bem, mas acabam perdendo sempre o gás. Talvez por causa dos fracos elencos com os quais trabalha. Outro ponto relevante em seu trabalho. Não podemos negar a competência de Celso Roth em desempenhar bons trabalhos com elencos modestos. Como se explica, por exemplo, o vice Campeonato do Grêmio em 2008, com reais possibilidades de título na última Rodada, se analisarmos tão somente os nomes que compunham aquele time? Passava longe de ser um supra-sumo do futebol. Mais longe ainda passa o Atlético Mineiro, que conta entre seus 11 iniciais com as ilustres presenças de Jonílson e Jorge Luiz. E olha lá onde esta o Atlético, brigando pau a pau por uma Libertadores. No primeiro turno ficou boa parte na liderança, mas poucos acreditavam no título do Galo, talvez por saberem do histórico de seu comandante.


Fato é que, nos últimos anos, Celso Roth é um dos melhores técnicos do País, e quem diz isso não sou eu, são os números e os fatos. Os números lhe colocam em um nível superior ao de muito técnico renomado, exemplo clássico é o de Wanderley Luxemburgo, que há tempos não faz um trabalho que justifique os salários nababescos que recebe. Portanto, se Dorival Júnior realmente não permanecer no Vasco, lamentavelmente bom que se diga, Celso Roth é um caso a se pensar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O time do amor!


Não haveria nenhum jeito melhor de vencer a partida contra o Amércia RN que não fosse de virada.


Afinal, somos do time da virada, somos do time do amor.


E o time da Virada, virou mais uma.


E a virada começou ano passado, quando colocamos nosso maior ídolo no comando do nosso maior amor.


A virada começou quando contratamos Rodrigo Caetano, que por sua vez contratou Dorival Júnior, que por sua vez montou um time, senão brilhante, senão dos nossos sonhos, valente e valoroso.


A virada começou quando a torcida Vascaína, a melhor do mundo, abraçou o time, colocou sobre os ombros e decidiu conduzi-lo novamente em seu lugar, nem que fosse na marra.


Somos o time da virada, somos o time do amor.


Amor que emanou dos nossos corações.


Amor que nos fez vestir a camisa Vascaína de cabeça em pé.


Amor que nos uniu ainda mais.


Não houve nenhum outro ano em que tenhamos amado mais o nosso Vasco.


E não basta amar, tem que participar.


Lotamos estádios por todo Brasil.


Pintamos o país de cruz de malta.


A virada, que começou no meio do ano passado, foi concluída pelos pés de Alex teixeira.


Que também fez sua virada de promessa para realidade.


Viramos o jogo, nos reiventamos e saímos mais fortes e mais gigantes do que já éramos.


O Vasco voltou, e agora eu quero ver quem segura!
Se é que alguém será capaz...


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Foi ruim, mas tá bom


Quando a luz se acabou, o Vasco vencia o campinense por 1 a 0, gol marcado pelo artilheiro Élton em cobrança de pênalti. Antes disso até, Allan já havia sido expulso de maneira infantil ao dar um leve, levíssimo, pisão no pé do adversário que encenava uma contusão de grandes proporções num gesto de igual anti-desportividade. O jogo entre o campeão contra o rebaixado, que tinha tudo para ser um jogo tranqüilo, esteve bem quente. Faltas atrás de faltas e poucas oportunidades criadas. O campo atrapalhava demais as duas equipes fazendo com que o jogo ficasse muito físico. São os percalços da série b.

O segundo tempo mal começava e veio o apagão. E lá em campina grande deve ter havido um apagão geral também, pois pelo que apurei depois, fora o gol incrível perdido pelo Adriano, que assisti quando ainda tinha luz, a outra chance mais clara do Vasco no jogo foi no último lance, em cobrança de pênalti. E me diz aí, por que cargas d’água o cobrador de pênalti é o Ernani? Talvez seja uma iniciativa do grupo, de querer que um jogador que nunca fez e faz gols também deixe sua marca. Se o álibi era esse, que se escolhesse o Fernando Prass. Mas tudo bem, o ano já acabou faz muito tempo e nada agora será capaz de me aborrecer, nem mesmo esse futebolzinho que nosso time joga.

Mas não posso deixar de agradecer a torcida Vascaína, mais uma vez fazendo com que cada pedaço desse Brasil se torne a casa do Vasco. Seja aqui no sudeste ou lá na Paraíba, o sentimento nunca parou! Meus sinceros agradecimentos a torcida do Vasco, 2010 vem aí, e o Gilberto pode ser uma boa hein...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sim! Nós temos um ídolo!


Quando disseram que viria para o Vasco, fiquei com uma pulga atrás da orelha.

Os seus adjetivos não eram dos melhores, apesar de todos terem a plena consciência que com uma bola no pé o cara sabe tudo.

Problemático, desagregador, bad boy.

Para alguns, um enganador, sobrevivendo de firulas e toques de letra.

Um caso deveras curioso é verdade.

Quando adversário, apenas me causava repúdio.

Catimbeiro, firuleiro, um enganador de marca maior.

Mas ele veio para o Vasco.

Para a nossa imensa sorte.

Aos poucos eu vi que tê-lo nesse time era uma benção.

Uma espécie de oásis de talento.

Percebi que ele não era um firuleiro.

E agora faço o mea-culpa, por ter pedido aos meus volantes que lhe distribuíssem pancadas para ver se ele aprendia a ser homem.

Me envergonho disso.

Homem ele sempre foi, e mostrou esse ano ser um exemplo de homem.

Vestiu a camisa como poucos a vestiram.

Honrou a cruz como nós fazemos.

Abraçou a idéia e foi abraçado pela imensa torcida bem feliz.

Não seria justo se no jogo do acesso ele não estivesse presente.

E foi dos pés dele que saiu o gol salvador.

O golaço do ano só podia sair dos pés do craque.

E pela primeira vez no ano, ele beijou o escudo.

Não um beijo falso.

Um beijo igual ao que damos nas nossas camisas. Um beijo carregado de verdade.

Sim! Nós temos um ídolo!

Sim! Nós temos um capitão!

Sim! Carlos Alberto agora é Vascaíno!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Virada do Século - por João Vitor Carvalho


Se existe uma característica em mim que chama a atenção, esta é a passionalidade. Quando o assunto é futebol, e especialmente o nosso Vasco, dou um bico pra escanteio na razão sem o menor pudor e me entrego de corpo e alma as emoções que só uma pelota de couro é capaz de produzir.


Poderia inventar uma história, uma que fosse deveras mais emocionante do que a minha verdadeira. Poderia até dizer que estive no Palestra naquele jogo histórico, e quem dera eu estivesse. Pensando melhor, eu estive. Não de corpo presente, mas meu espírito estava lá. O meu e o de 15 milhões de Vascaínos apaixonados, empurrando nosso amor mais antigo e mais sincero rumo a mais uma glória, apenas mais uma, das tantas que a nossa incomensurável sala de troféus reflete. Poderia inventar, mas contarei a minha. Talvez não seja a mais emocionante, a mais curiosa, a mais bem contada, mas é a minha.


Tinha eu meus 12 anos à época, e esperava ansioso o final da novela das 8 que, naturalmente, não me recordo o nome. O que importava de fato era a final que viria na sequência. Um confronto entre 2 dos maiores clubes do país, o embate Rio X São Paulo novamente em questão, Vasco e Palmeiras, Bacalhau e Porco, disputando uma taça internacional de grande valia.Rolava a bola no palestra, rolava a bola no meu coração.Meio segundo de peleja foi mais que o suficiente para que meu sofá se transformasse em arquibancada. Sofá que nesse caso, e em outros tantos, era mero decorativo, pois que eu me lembre, nunca consegui assistir a um jogo, ainda mais desse quilate, sentado numa poltrona. Não sou um torcedor contemplativo, sou participativo. Mais participativo e mal educado do que os ouvidos da minha mãe e da vizinhança gostariam. Ainda não inventaram palavras para substituírem a contundência de um palavrão bem dito. E esse dia eu disse todos!


O Palmeiras vinha pra cima, empurrado por sua apaixonada torcida. Tão logo, veio o primeiro o gol Palestrino, dos pés certeiros do paraguaio Arce. Mal a torcida verde comemora, e Magrão faz o segundo. Perto do fim da primeira etapa, Tuta coloca o terceiro no placar. Ainda não inventaram nada que me provoque mais mal humor do que levar um gol de um sujeito tão ruim de bola como o Tuta. Os 3 a 0 fechavam a conta do primeiro tempo, e do jogo, como ousariam afirmar os céticos. Se eu dissesse que acreditava na Vitória, estaria mentindo tanto quanto se falasse que a essa altura não chorava copiosamente. Minha mãe tentava me consolar, em vão. O que ela poderia dizer pra me animar? Que o Vasco iria virar a partida? Que faríamos o impossível? Sou passional, mas não a ponto de delirar, não nesses níveis melhor dizendo. Não queria mais saber do jogo. Troquei o canal. Fui me divertir com a burrice alheia assistindo “show do milhão”. Divertir não é bem a palavra, fui me refugiar. Desfiz até o santuário que costumava transformar minha televisão. Apaguei as velas, devolvi a santinha pro seu lugar, os barquinhos, o papagaio de porcelana, a minha pedra da sorte voltou pra gaveta. Não sou religioso, longe disso, sou só mais um maluco apaixonado cheio de manias e superstições que transformava a cada jogo a própria TV numa “salada turca”. De acordo com a importância da partida, mais apetrechos adornavam a telinha.


O segundo tempo começava enquanto eu ainda enxugava as lágrimas da tristeza, e me entretia com a ignorância que só o Silvio Santos é capaz de expor na televisão. A cabeça continuava lá no Palestra e o espírito de lá também não arredou o pé. Nem eu, tampouco o “Alviverde Imponente” poderiam supor que muita luta ainda o aguardava. Tínhamos um timaço. Tínhamos Juninhos, tínhamos Romário, e tínhamos fé, traduzida fielmente pelo anônimo com seus galhos de arruda no parque e pela “salada turca” da minha televisão, que voltou a ser rearrumada logo assim que Romário descontou. Meu pai foi um dos poucos que desde o começo dizia que esse jogo seria do Vasco. Talvez só cumprindo seu papel de pai, ao ver o filho Vascaíno desolado. Mas quando, novamente de pênalti, Romário trouxe a diferença para 1 gol, não precisava-se de muito para acreditar que a vitória era possível. Não seria mais um devaneio acreditar no impossível O tempo passava, minhas conversas com a santa na TV se intensificaram, os copos com água com açúcar desciam fáceis, assim, como água com açúcar. O gol não saía. Quem saía era meu coração, pela boca quase. E o impensado acontece. Juninho Paulista, um monstro nessa decisão, empata a partida. Já seria o suficiente para transformar em histórica essa noite. A torcida Vascaína faz festa no Palestra. Juninho pernambucano, outro monstro, bate no peito e convoca os torcedores presentes e os espíritos Vascaínos a entrarem em campo.


Quando Viola pega a bola na esquerda, parte decidido para o meio da área, vou junto com ele. A bola sobra pra Juninho paulista, que chuta pro gol. A bola desvia e sobra pra Romário, e de repente, vê- se a luz, o impossível, o improvável esta prestes a consumar-se. 15 milhões de Vascaínos, todos ao mesmo tempo, se transportam para dentro da reluzente cruz de malta no peito do nosso baixinho, e chutam a bola pro fundo da rede. É gol do Vasco! É gol dos Vascaínos! É grito que acorda os vizinhos! É lagrima de alegria! É coração em disparada! É felicidade! é chopp que se derrama no chão! É beijo na cruz! Beijo na Mãe, no Pai, no irmão, na namorada! É emoção que não se traduz! É noite que vira dia! É buzinasso pela rua! É orgulho! É paixão! É amor! É a certeza de feito a escolha certa! É a certeza de torcer pelo melhor, insuperável, incomparável, imaculado e apaixonante Club de Regatas Vasco da Gama!





História Enviada para o Livro " A Virada do Século"


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