quarta-feira, 10 de março de 2010

A Função primordial.



Campeonatos estaduais são como notas de Cruzeiro, valeram alguma coisa no passado e hoje já não valem mais nada, quer dizer... daqui a pouco eu chego lá.

Já foi tempo que vencer o Carioca ou o Paulista estabelecia de fato um parâmetro para a temporada, aliás, durante muitos anos os estaduais eram os campeonatos mais importantes da temporada.

Tanto é que o Expresso da vitória foi convidado a disputar a primeira Libertadores da história, em 48, por ter vencido de forma invicta o Campeonato Carioca de 47, aliás, nenhuma novidade para uma equipe que venceu a maioria das competições que disputou dessa forma.

Embora adore ganhar meu tempo relembrando os tempos do verdadeiro “amor à camisa” e do nosso incomparável Escrete campeão Sul-Americano, paremos por aqui e voltemos à realidade crua da contemporaneidade.

Os estaduais agonizam e sobrevivem das rivalidades domésticas, dos clássicos decisivos.

Verdade que não se trata de uma regra para todos os estados e times. Para a maioria deles, o estadual não só é a competição mais importante, bem como a única. Por causas de interesses políticos e coisas que a nossa vã filosofia até sabe- mas não conta pra ninguém Rede Globo-, os campeonatos estão inchados e desinteressantes.

Responda-me: Existe campeonato mais sem sal que o Paulista?

Esses primeiros parágrafos podem até sugerir que eu não ficarei feliz com a Conquista das notas de mil Cruzeiros, muito pelo contrário. Para quem não ganha nada relevante há 10 anos, não estamos na condição de rejeitar irrelevância nenhuma.

Admite-se 3 novas serventias para os estaduais atualmente.

Passamos a fase de classificação do primeiro turno na primeira, a ilusão. Mesmo que não tenhamos jogado bem todas as partidas, fizemos alguns bons jogos, que deram prazer de assistir, e fizemos outros, ainda que sem brilho, que não davam tanto sono e irritação.

Com a derrota na final, entramos na segunda utilidade do Estadual. Os erros vieram todos à tona, e percebemos que esse time ainda tem muitos problemas, o elenco tem sérias carências e precisamos de imediatos ajustes.

Ajustes que, talvez, não estejam dentro das competências do nosso atual treinador.

Eis que chega-se, então, à utilidade principal dos Estaduais: Derrubar treinadores.

Times grandes não tem tempo a perder. Por mais que de cabeça fria saibamos que os trabalhos à Longo prazo sejam fatores preponderantes para a montagem de um grupo vencedor, quer-se sempre o resultado imediato, e não existe torcida mais angustiada e imediatista nesse país que a nossa. Mostra serviço ou vai para a Rua! É assim que a banda sempre tocou no país do futebol

Não sabemos ao certo se isso é bom ou ruim, mas assim que funciona.

A declaração do Rodrigo Caetano, de que a diretoria esta satisfeita com o trabalho de Mancini, teve uma repercussão negativa em grande parte da torcida. Se por um lado o aproveitamento material- pontos na tabela- seja, de fato, bastante satisfatório,por outro, o aproveitamento futebolístico do Vasco esta bem aquém do que entendemos ser digno para representar nossa gloriosa cruz e nossa apaixonada e apaixonante torcida.

Treinadores de clubes gigantescos não sobrevivem apenas com respaldo da diretoria.

Precisa-se de uma verdadeira simbiose entre diretoria, equipe e torcida. Sem o apoio de um desses três pilares, a casa cai. Pra qualquer um, independente do nome ou do currículo que o sujeito tenha embaixo do braço.

O Mancini, então, que fez apenas trabalhos razoáveis na carreira, não tem esse currículo todo para sobreviver à frente de nossa equipe, se o futebol do Vasco não começar, imediatamente, a melhorar de forma acentuada.

Por mais que o Caetano tenha dado essas declarações em apoio ao técnico, algo perfeitamente justificável, dado que jogaremos um clássico no Domingo, todos sabem que de confortável não tem nada a situação do Mancini.

Ele sabe, o Caetano sabe,e a torcida sabe mais do que ninguém.

Um resultado negativo Domingo, tomara que não aconteça, e uma queda de técnico, não seria de causar admiração em ninguém.

Confirmando-se a terrível suposição, o Campeonato Carioca terá cumprido sua função primordial, e mais uma cabeça estará rolando na ciranda dos técnicos.

E quem assumirá o timão da Caravela?

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