sábado, 18 de dezembro de 2010

"Importante é competir" é a típica frase que se diz a um filho ruim de bola.


Começa mal o discurso Vascaíno, quando começa por “Contrataremos dentro de nossa realidade.”

Contratações adequadas a nossa terrível realidade financeira não nos fará sair de nossa terrível realidade esportiva. É preciso, como alguém já bem disse, ousadia. A solução pra isso ah... tem gente muito bem remunerada para “chupar essa manga”, a gente tá aqui só pra cobrar.

E o Vasco nem precisa de tanto para se tornar um time capaz de conquistar, ao menos, a Copa do Brasil e o Estadual. A base é boa e é de Série A. Necessitamos apenas de contratações pontuais.

Que isso não se confunda com contratações de Pontos... de Interrogação, como Marcéis e Misaéis. Não coloco nesse mesmo balaio o zagueiro Anderson Martins. Ele tem as duas pernas? Joga pela esquerda? Tem noção de futebol de campo? Sabe dar chutão pro alto? Atendendo a esses requisitos, ele já será capaz de formar uma boa zaga com o melhor zagueiro em atividade no Brasil.

Penso que se Marcel e Misael são melhores que as opções que tínhamos ( Grandes coisas...), mas ainda estão longe de serem jogadores ideais, eles deveriam permanecer longe do Vasco. Se hoje vendemos o almoço para pagar o jantar, que pelo menos seja um banquete a última refeição. Não adianta investir pouco em muitas peças. Muito melhor direcionar o investimento em um jogador que resolva nossos problemas. O Borges, por exemplo. Quanta falta nos fez um atacante de verdade esse ano. Tudo poderia ter sido diferente.

Imagina o Borges no lugar do Nunes ou do Rafael Coelho. Quantos dos nossos 214 empates na temporada não poderiam ter se transformado em vitórias? Agora imagina o Marcel. Será que ele teria feito alguma diferença? Creio que não.

Porém, tudo pode mudar, torço para isso aliás. Vai que o Marcel emplaca. Eu pensava no Éder Luis como um jogador que só tivesse a velocidade para oferecer e ele surpreendeu a todos com gols e belas jogadas. Do Marcel espero apenas meia dúzia de caneladas, muita briga e muito menos do que nos é necessário, mas torço para que ele faça-me engolir as palavras. Misael, até certo ponto, é uma aposta válida em minha concepção. É um jogador que se destacou pelo Ceará, jovem e que estará jogando pela maior chance da carreira. Mas, é uma aposta, e como em todas as apostas, envolve risco.

Com a saída de nosso melhor volante de marcação, Rafael Carioca, precisamos de uma solução para a cabeça de área. Eduardo Costa e Pierre estão cogitados. Prefiro o segundo, mas parece que o primeiro que vai se apresentar a caravela. Não é de todo mal. Eduardo Costa é um jogador experiente, rodado e pode fazer bem ao nosso jovem elenco. Minhas lembranças dele, contudo, remetem a um jogador “duro”, truculento e de pouca intimidade com a bola. Um Nílton mais velho? Pode ser...

Claro que quando falo da base sólida que construímos, imagino o melhor dos mundos. Uma realidade fantástica na qual nosso melhor jogador, Carlos Alberto, consegue jogar 10 partidas consecutivas, onde o Ramón não se machuca, o Fágner voa, o Felipe está plenamente adequado ao ritmo do futebol Brasileiro, o Éder Luis permanece no Vasco, e o departamento médico e Júridico dá subsídios para o bom andamento do trabalho.

Daqui a pouco o novo ano se inicia e o fato é que em 2011 teremos que conquistar alguma coisa, custe o que custar. Essa seca de conquistas já incomoda não é de hoje. O último título do Vasco eu não tinha nem idade pra comemorar com cerveja. Somos piada na imprensa, piada nos tribunais, piada nos botequins e isso tem que acabar.

Sinceramente, não sei se será esse ano. O Clube dá passos importantes no que diz respeito à estrutura e profissionalização, mas só pavimentar o caminho do futuro é muito menos do que desejamos. Queremos vitórias no presente também.

A torcida precisa desse afago. Somos vencedores, ora essa! Nascemos assim, vendo o Vasco atropelando os adversários e sendo respeitado, quando não temido e odiado. Ninguém odeia mais a gente! E se continuarmos nessa humildade toda,contratadno humildemente, de cabeça baixa, nos tornaremos cada vez mais “simpáticos” aos rivais.

Montar um time competitivo e jogar com dignidade as competições não deve ser a meta. Competitivos nós já somos e disputar com dignidade os campeonatos não é mais que obrigação. Que se deva 900 bilhões, mas que se monte um time vencedor. Na hora de pagar a conta, pode deixar que a torcida, exultante com o título, pagará com toda alegria, se associando em massa, comprando camisas, casacos, bonés, bonecos e tudo mais que tiver uma Cruz-de-Malta.

“O importante é competir” é o tipo de frase que se diz a um filho ruim de bola quando ele perde a olimpíada no colégio. Ao Vasco só interessa vencer. Só!