segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Vice-Campeão Brasileiro de 2011


Querem que eu sinta uma tristeza que não sinto.

E, sobre meus ombros, pôr o peso de um estigma que não resiste à uma breve e pueril consulta histórica.

Querem que eu sinta vergonha pelo meu mérito.

E vendem que minha luta foi em vão.

O Vascaíno não comemora o vice.

Não está orgulhoso da não conquista.

Não está satisfeito por ter sido eliminado.

O Vascaíno comemora o Vasco.

O Vasco que ele conheceu quando criança.

Voltando a ocupar o espaço que é seu de direito.

O Vasco que briga pelo máximo, sempre.

E por isso é tantas vezes vice.

E é por isso é tantas vezes campeão.

Mais uma vez atingimos a honrosa segunda colocação ao final desse Brasileiro.

Feito já obtido outras duas vezes, diante do Inter, em 79, e Fluminense, em 84.

Das sete vezes em que estivemos disputando o título, vencemos quatro.

Em nossas três finais sul-americanas, vencemos todas.

Números que nada Interessam nesse momento.

Momento de se lamentar pela não conquista de um time que merecia, que podia, e que provavelmente usará essa campanha como combustível para as conquistas, naturais, que se seguirão.

Em breve, muito breve.

Não perdemos o campeonato nesse jogo. Você há de se lembrar, sem a necessidade de apontar , de vários pontos jogados pela janela .Tungados pela arbitragem.

Pode até dizer que quatro deles ficaram nos bolsos do Péricles Bassols.

Dirá em vão. Sem Razão.

Sempre soubemos que não podíamos depender da sorte decidida pela arbitragem.

Precisaríamos ultrapassar mais essa barreira e não conseguimos.

Cedemos ao cansaço, sem jamais ir a nocaute.

Derrota por pontos. Dois pontos.

Você também pode dizer que o campeonato está armado para o Corinthians.

Argumentação que encontra indícios, ou pelo menos suspeitas, para se sustentar.

Provar? Impossível.

“No creo em las brujas, pero que las hay, las hay”, diria o outro.

Entrar em qualquer discussão é o pior que pode ser feito.

Rebatê-los é trazê-los ao nosso plano, ou, ainda pior, submergir ao deles.

Protagonistas e coadjuvantes não devem se misturar.

Hoje o Vascaíno sente orgulho.

O Vascaíno, eu, comemora o Vasco.

O Vasco que eu conheci quando criança.

Forte, respeitado e temido.

Um dos favoritos a todos os títulos do ano que vem.

Objetivamente falando: Temos uma base vice-campeã brasileira, que precisa de reforços absolutamente pontuais, com destaque para contratação de um atacante de melhor nível. Uma ou outra coisa ali, uma composição de elenco, meia-dúzia de dispensas. Só.

Nossas perspectivas são as melhores. E estamos em ascendência técnica, coletiva, individual, institucional, estrutural.

Não nadamos e morremos na praia, como diz o clichê de quem nem a nadar se prestou.

Estamos nadando ainda, a plenos pulmões.

Sem colete salva-vidas, sem “pré-qualquer-coisa-na-bolívia”.

Sem se contentar com “vitória moral”, até porque ela nada significa em um terreno que moral é só uma palavra sem ligação com seu sentido.

Mas eles querem que eu sinta uma tristeza que não sinto e, sobre meus ombros, pôr o peso de um estigma que não resiste aos fatos. Querem que eu me envergonhe do meu mérito e vendem que minha luta é vã.

Eles querem, patéticos, não conseguem.

O Vascaíno comemora o Vasco.

De cabeça erguida.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Vai pra cima!



Nunca houve um time que cumprisse tão a ferro e fogo a ordem das arquibancadas, como o Vasco de 2011.


“Uh! Vai pra Cima! É o Trem-Bala da Colina!”- pedimos nós, ainda lá atrás, quando o time esboçava uma reação no Campeonato Carioca.

Vocês certamente se lembram da partida em que esse grito foi cunhado, ou, pelo menos, quando ele ficou marcado.

Bernardo, até então um quase desconhecido, destruiu um dos timecos do carioca, marcando três belos gols.

E o Trem- Bala surgia ali, naquele dia.

Ao mesmo tempo que se remetia ao Expresso da Vitória- Maior Time de Toda a História do Vasco- se contrapunha ao famigerado bonde sem freio , hoje, também, sem vaga e sem rumo.

E desde que surge o Trem-Bala, ele vai pra cima!

Força máxima em todas as competições!

Dedicação e perseverança!

Além de um excelente time de futebol.

Um elenco recheado de individualidades que tem no conjunto o seu grande craque.

Todos os principais jogadores do time tiveram seus momentos de protagonismo em algum período da temporada: Eder Luiz, Juninho, Felipe, Diego Souza, Bernardo, Alecsandro, Élton.

Isso, claro, apoiado na regularidade impressionante de alguns jogadores, como Fernando Prass, Jumar, Allan, Fágner, Rômulo e Dedé.

O nosso zagueiro sendo um capítulo extenso e especial à parte: Engoliu todos os grandes atacantes do futebol Brasileiro e palitou os dentes com os menos renomados. Excepcional em 99% das partidas em que atuou, sendo decisivo na defesa em todas, e no ataque em várias delas. O único jogador sem substituição ou paliativo no elenco. O melhor zagueiro do futebol sul-americano, com sobras. Forte, Rápido, Técnico, Leal. GIGANTE! UM MITO!

Sua última vítima foi Fred, no clássico(zinho) eletrizante diante da Unimed.

Com as duas equipes tendo que vencer, o jogo foi aberto.

Chances perdidas, o previsível gol legítimo anulado de Diego Souza, a previsível péssima e tendenciosa arbitragem de marcelo de lima Henrique(minúsculo, por favor), e a previsível dedicação dos dois times. Os dois melhores.

Só que esse ano, podem nos igualar na técnica e na tática, mas na vontade não dá!


O Trem-Bala foi pra cima e conquistou mais uma de suas épicas vitórias!

E agora vai para o Chile, e vai pra cima(!) com a força máxima que Cristovão tiver a disposição!

E se por acaso nada for conquistado, teremos a certeza de que tudo isso não foi em vão!

Esta longe de ser em vão a hombridade tão rara que o Vasco tem mostrado nessa temporada!

Mas é claro que nós queremos ganhar! E temos totais condições para isso!

Vamos em busca do nosso destino!

Eu acredito! Acredito que eles vão perder e nós vamos ganhar! Se eles merecem também, e é evidente que são merecedores, merecem menos que nós. É a nossa história que vai ser contada! A história de um time que superou todas as dificuldades, todas as desconfianças e desde sempre se mostrou campeão. Um time que escreve um capítulo glorioso na história do clube e nas páginas do futebol mundial.

Um time que simplesmente foi pra cima!

E vai pra cima! Sem medo de ser feliz!


domingo, 18 de setembro de 2011

Do resto o destino se encarrega...


A Noite foi de Diego Souza.

Emoldurado pela Colina Histórica, que revive seus melhores dias, o camisa 10 reeditou os seus.

Dribles, passes, lançamentos precisos e gol antológico. Foi por conta desse cartel que o Vasco investiu em sua contratação. E ontem ele quis mostrar que investiu certo.

Jogador de rara habilidade para o tamanho que tem, e do tamanho que requer a camisa 10 Vascaína, Diego chamou o jogo pra si e colocou o Grêmio no bolso.

Falar apenas dele, no entanto, é falar menos do que precisa ser dito.

Vencemos por seu brilho individual, propiciado por uma atuação taticamente perfeita e coletivamente irresistível.

Uma noite de vagalumes acesos, como Eder Luis e o próprio Diego, e da soberba regularidade de seus pilares defensivos: Prass, correspondendo quando exigido, Dedé, cada vez mais entrosado com o sério Renato Silva; e Rômulo, que jogo sim, jogo também, se mostra como um dos melhores volantes do país.

Certamente o Vasco teve sua melhor atuação em todo Campeonato Brasileiro, algo que merece toda a exaltação, haja vista o desfalque de seu melhor jogador- Juninho Pernambucano.

A escalação levada à campo por Cristóvão Borges sugeria um time defensivo, preocupado em marcar o forte e técnico meio campo gremista e explorar os contra-ataques. No papel, defensivo, na prática, insinuante.

O Grito da arquibancada contagiou os jogadores. O time não dava espaço ao adversário, sufocava o homem da bola, todos se lançavam em carrinhos. Com a criança dominada, todos apareciam para jogar.E jogavam.

Antes mesmo de todos chegarem para festa, já vencíamos. Gol de centro-avante do centro-avante Élton, após jogada manjada pela direita e , imarcável, quando Éder Luis está aceso. Felipe Bastos, multiplicado em dois, lança para Diego e aí... e aí é só deixar a natureza agir. Nada mais natural do que ele passar como quer por Edcarlos e fuzilar Vítor. Se havia alguma chance de reação para o Grêmio, era preciso parar Diego e, ontem, não havia ninguém que pudesse fazê-lo. Ele lança primorosamente para Fágner, que serve para Éder Luis ampliar. Ainda caberia mais. De novo pelo lado direito, o Camisa 10 dribla o marcador e deixa Fágner coroar também a bela atuação, ratificando o baile.

O Vasco se mostrou um time solidário, consciente, aplicado , com vontade de corresponder, e correspondendo, ao amor dedicado por sua apaixonada e fiel torcida. Um time que corre pela arquibancada, pelo técnico em plena recuperação, pelo técnico interino e, sobretudo, por ele mesmo. Os jogadores sabem da chance que têm de assinarem, mais uma vez, seus nomes nas páginas que contam a história mais bela do esporte mundial. Sabem e não parecem querer desperdiçar.

São esses jogadores jovens, quase todos brasileiros, que irão recolocar o clube que os acolheu na única posição que lhe é confortável: A Primeira!

Se a noite ontem foi de Diego Souza, o ano será do Vasco. Já é do Vasco.

Basta manter a vontade de cumprir sua vocação.

Do resto o destino se encarrega.

domingo, 4 de setembro de 2011

Uma tarde infeliz e apenas isso...



Uma tarde infeliz- definiu Fernando Prass ao sair de campo após ter visto quatro bolas do América MG estufando suas redes.

Uma tarde infeliz, apenas isso- defino eu.

O tal de futebol é de nos pregar peças. A variante brasileira dele nem se fala.

Não existe, simplesmente não existe, nenhuma partida fácil no Equilibrato Nacional.

Levantar a cabeça após da derrota, mais que clichê, é imperativo para todo time que deseja levantar a taça no fim.

Caso do Vasco, que no pior dos cenários continuará precisando apenas de si para conquistar o intento.

Hoje o time apresentou comportamento muito diferente do usual.

Embora nem sempre jogue bem, o Vasco é um time criador de oportunidades.
É também um time que depende muito da entrega e da organização defensiva, que sofre baixa irreparável quando Dedé não joga. O time perde força, técnica, altura, segurança e boa parte do respeito dos adversários sem o melhor zagueiro do Brasil. A ausência de Jumar também é muito sentida. Pra mim, titular no meio ou em qualquer lateral.

O primeiro gol nasce de desatenção de Fágner na marcação e, veja você, André Canela complementa. Juninho logo empata, cobrando pênalti de fora da área. Fágner, sempre ele, derruba André Canela na região fatal, sem a menor necessidade, e o coelho salta na frente antes do fim da primeira etapa.

As equipes voltam a campo e o Vasco se comporta como quem quer a vitória. A zaga, no entanto, se comporta como quem não tem Dedé. Em um lance no qual nosso camisa 26 certamente se imporia, Renato Silva apenas observa, perde no corpo, não acompanha a corrida do jogador adversário, que encobre Fernando Prass e apita o final do jogo.

E por mais que tivessem sido feito trocas mais corretas ou mais confusas, como as de Cristovão Borges, a tarde já tinha ido pro saco. Uma tarde pra lá de infeliz. Coisas do futebol, único esporte em que o time claramente superior pode sair derrotado por uma infelicidade vespertina.

Para nossa sorte, os que estão perto de nós, tecnicamente empatados na liderança, também tiveram pedras a tirar-lhes o conforto dos sapatos.

Perder pro lanterna, que, ainda por cima, conta com Amaral como homem das bolas paradas e André Canela como artilheiro, é realmente de amargar. Mas, mesmo que haja tardes infelizes, temos hoje a felicidade de torcer para um elenco maduro, capaz de absorver o revés, por pior que ele seja, e transformá-lo em motivação. A derrota é sempre inquietante para esse time.

Que continua prestando como sempre prestou.

Mesmo que existam semelhantes, somos a grama mais verde desse campeonato.

Arrisco-me arriscar dizer que até mesmo as derrotas, em alguns casos, são boas. Se a última vez em que havíamos vencido o São Paulo no Morumbi, por campeonatos brasileiros, fomos campeões, na última em que fomos derrotados pelo América Mineiro, o garoto-dinamite trazia o primeiro título brasileiro para um clube carioca, em 74. Isso antes da orgia da distribuição de títulos da CBF, é claro!

Faltam 17 rodadas para o fim e não acredito no Penta...

Eu confio!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Tô rumo ao PENTA e você nem viu!



“É utopia imaginar que o Vasco vai conquistar alguma taça esse ano. O fio de esperança é uma linha de delírio . Daqui a pouco começa o discurso de sempre: “ O caminho na Copa do Brasil é fácil até as semi-finais, sei lá”, “O time do Goiás que era uma M quase ganhou a sul-americana, a gente pode também”. Provavelmente embarcarei na conversa, como bom Vascaíno fundamentalista que sou. “

Esse parágrafo foi extraído de uma coluna minha em 11 de fevereiro, após uma das inúmeras e vergonhosas derrotas no campeonato carioca. Escrita em um momento de completa ira, acredito que revela uma passionalidade com a qual você certamente é capaz de se identificar. Prosseguia espinafrando todo elenco, duvidando da capacidade do recém chegado Ricardo Gomes e, fundamentalmente, esquecendo que o mundo do futebol pode dar voltas muito rápido. Falava, portanto, besteiras, como a maioria dos entendidos da televisão faz a todo tempo.

Em minha defesa, afirmo que no instante em que aquelas linhas pariam-se do ódio, julgo que fosse impossível para qualquer um ter a sensibilidade de que o momento que vivíamos seria fundamental para que a temporada vascaína tomasse rumos, àquela altura, mais que imponderáveis.

Precisávamos de uma verdadeira revolução, não só uma mudança. Não havia outro caminho a não ser agir e sair finalmente da letargia que parecia acometer a todos no clube. Sabe-se lá de onde, apareceu dinheiro e o elenco foi reformulado. No comando , a serenidade de Ricardo Gomes foi fundamental para o quadro de terra arrasada rapidamente se modificar.

A confiança voltou e os resultados foram aparecendo. Ainda no carioca, conseguimos nos recolocar na disputa, sendo derrotados pelo urubu nas penalidades da Taça Rio. Naquela altura, já não era nem mais delírio imaginar que poderíamos vencer a Copa do Brasil como vencemos. Após a conquista e a vaga assegurada na Libertadores, o clube promove o retorno de seu maior ídolo em atividade, a personificação de uma era das mais vencedoras da instituição.

Aí, o delírio passou a ser imaginar que esse time não se colocaria em todas as disputas que se seguiriam, como faz agora nesse momento. Empatado tecnicamente na liderança do Brasileiro, pode-se dizer que o Vasco reúne o necessário para que o time brigue até as últimas conseqüências, em condições de igualdade- quando não de superioridade, pelas duas taças que disputa.

Ao que dirão: Mas o elenco ainda apresenta carências, precisamos de laterais, de atacantes de melhor nível. Ao que direi: concordo, mas carências em seus elencos todos os times têm, passa longe de ser uma exclusividade nossa. E diria mais: o que não temos é infinitamente menor do que o que já temos.

A nossa grama é sem dúvida uma das mais verdes da vizinhança. Senão vejamos: Dois zagueiros de nível selecionável, um meio campo recheado de opções de qualidade tanto defensivamente quanto ofensivamente, dois maestros absolutamente extra-classes e a melhor bola parada do Brasil, que faz a diferença em um campeonato de tenso equilíbrio.

Acima foram elencados apenas os recursos humanos, mas o invisível conta muito no futebol. Temos hoje um grupo sem vaidades, sem quaisquer melindres, absolutamente confiante em suas possibilidades e, acima de tudo, consciente de que representa uma das camisas mais pesadas do futebol continental. A frase do meu pai, do qual herdei muito mais as letras do que a paixão pelo futebol, é emblemática: O Vasco agora voltou a ser grande, né?

Voltar não é a palavra certa, uma vez que é impossível retornar a uma condição da qual jamais se saiu. A grandeza do Vasco não conseguiu ser diminuída nem mesmo pela “politicália” que cerca o clube e tampouco pela escassez de conquistas. Faltava ao Vasco , isso sim, voltar a ter modos de gigante, justificando sua irrefutável condição. O resto seria conseqüência.

Antes tímida, a grande mídia já não consegue tapar os olhos para não ver. Somos uma realidade, é impossível negar, impossível não levar a sério a voracidade de um gigante que acaba de acordar e dá sucessivas mostras de estar faminto. O time não só quer, como transparece que quer e acredita que pode.

Eu tô rumo ao penta e você nem viu!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A prioridade é o jogo seguinte


O Vasco inicia nesta quinta-feira a saga em busca de mais um título internacional.

Um teste de grande importância para quem disputará a Libertadores, em 2012, com a obrigação de fazer uma campanha que calce os mesmos números da nossa esperança.

Após quebrar o jejum de dez anos sem títulos nacionais, o apetite se volta ao segundo título mais importante do continente.

Penso que a prioridade do Vasco no momento seja vencer sempre o próximo jogo. Conforme o desenrolar da temporada, admite-se até que o Campeonato Brasileiro e a Sul-Americana se postem em patamares diferentes. Até lá, como grande que somos, temos que brigar nas duas frentes.

A meta nesta quinta é conseguir um bom placar diante do Palmeiras e ir a São Paulo com a vantagem. No domingo, é vencer o Palmeiras e não deixar os líderes se afastarem.

O jogo de amanhã oferece boas oportunidades a certos jogadores do elenco.

Renato Silva faz sua estréia com a missão de provar que, se não está à altura inalcançável de Dedé, pelo menos é capaz de suprir dignamente a ausência. Confesso que preciso vê-lo para julgar. Apenas sei que é um zagueiro com rodagem por clubes grandes e que tem, indispensavelmente, Bob Marley na “playlist”.

Julinho ganha chance na lateral, mesmo que Ricardo Gomes não se convença que ele seja do ramo. Ao menos parece que nosso treinador chegou à conclusão óbvia de que persistir com Márcio Careca é dar razão aos que o criticam pela teimosia.

Elevado ao nível de xodó, Bernardo volta ao time após três rodadas. Substituirá Eder Luiz, embora suas características não sejam as mesmas. Terá mais uma chance de provar que pode ser titular do time, algo que não conseguiu nenhuma vez quando escalado entre os 11 iniciais. Perdemos em velocidade e “poder de chateação” pelo lado direito, mas ganhamos em finalização e raciocínio.

Se estes terão chance, nenhuma será maior do que a do artilheiro Élton, um caso curiosíssimo. Não foram poucas as vezes que vi nosso centro-avante ser achincalhado pela torcida em São Januário. Gritos, ofensas, xingamentos diversos e a velha “ Não tem condições de vestir a camisa do Vasco” foram proferidos ferinamente pela torcida em sua direção.

Mas o tempo passa e, as terríveis atuações de Alecsandro, fizeram de Élton uma espécie de salvador. Argumentos para atacar Alecsandro, convenhamos, o próprio nos deu. Não domina direito uma bola, perde gols, erra passes.... mas, peraí, isso é o rascunho do Élton!

Que venham pedras, mas eu vejo o Alecsandro como mais jogador que Élton, apesar de considerá-los bem próximos. Entendo também que futebol é momento e, se o do Alecsandro é flagrantemente terrível, nada mais justo do que o nosso artilheiro da Série B ter sua oportunidade.

Sem saber como encerrar esse texto, termino dizendo que fazia tempo que não ficava tão feliz com o futebol e com o Vasco como estou ultimamente. Em que pese as pequenas discordâncias, uma ou outra corneta, o quadro geral da torcida é de satisfação.

O Vasco finalmente voltou a ser respeitado e levado a sério nas disputas que participa. E mais que isso, voltou a ter a confiança da própria torcida que, sem constrangimento, aponta o time como favorito em qualquer competição.

Vencer títulos daqui para frente será apenas conseqüência.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O que vem de baixo atingiu




São poucas as coisas que conseguem ser piores que o lamentável pasto que chamam de “Gramado do Engenhão”.

Uma delas é o Márcio Careca. É mais fácil nevar em Copacabana do que este cidadão conseguir me convencer que é jogador de futebol profissional. Quando Ricardo Gomes resolveu corrigir o grave erro, já tinha ido tudo para o brejo e o Vasco já perdia por 3 a 0. Não se pode dar ao luxo, nem mesmo contra o Botafogo, de jogar com menos um.

O Vasco adotou a postura de sua torcida e desconsiderou o Botafogo. Entrou certo de que venceria, apoiando-se no incontestável fato de ser amplamente superior. Esquecendo-se, logo, que para chegar à condição em que hoje está, teve que suar sangue com todo mundo. Não suou e perdeu.

Para mim, selou sua derrota logo ao levar o primeiro gol. Quem me acompanha conhece minha tese: Gol de escanteio não existe. É sempre produto da falha e desatenção, nunca de mérito. Explico: Primeiro que o ataque tem a missão de desviar a bola para um lugar específico enquanto que a zaga pode espanar para qualquer lado. Segundo, e principal, é que vale, atenção, VALE segurar o adversário pela camisa e impedi-lo de chegar a bola. Rômulo só acompanhou e Antônio Carlos desviou pro gol.

Quando o Vasco começava a mostrar a maior técnica que possui, o Botafogo fez o segundo com Abreu, após belíssima jogada do ótimo Cortez. Explorando a inexistência daquele- que- não- deve –mais- ter- o- nome- pronunciado, nasceu o terceiro gol, também de Abreu. O quarto gol, da humilhante derrota( Só é possível perder de uma única forma para o Botafogo- seja de um ou de 30 gols- Humilhado), veio no fim.

O segundo tempo do Vasco foi melancólico. A equipe conseguiu produzir ainda menos do que fez no primeiro tempo. Nenhuma inspiração e transpiração muito inferior a necessária para se reverter um quadro desastroso.

E para piorar, Diego Souza foi expulso. Expulso, tão somente, por ser quem é. Qualquer outro que não fosse ele, Kléber ou Carlos Alberto, teria sido. Os árbitros adoram um rompante de rigidez contra esses citados. É fácil expulsá-los: Os Jucas Kfouris darão sempre razão. Sabedores disso, esses jogadores devem ter cuidado especial. Colhe-se o que planta. É preciso rezar a cartilha para não ter erro: Não reclame e, quando o fizer, que o faça empregando o vocabulário da Congregação das Irmãs Carmelitas, se muito.

O meio campo vascaíno em momento algum, salvo nos 10 minutos posteriores ao primeiro gol, funcionou. Sem conseguir trocar passes em meio às trincheiras que chamam pitorescamente de” buracos do Engenhão”, Felipe foi pouco produtivo, Diego não conseguia dar seus dribles. Rômulo ficou perdido com a mudança de posição e Jumar não foi eficiente como vinha sendo. Sem criação, Alecsandro nada pôde fazer. Dominar a bola parece missão impossível para ele até mesmo em tapetes, naquele campo...

Com a defesa desprotegida, a inexistência de um lateral , perdão, a inexistência de um jogador profissional pelo setor esquerdo do campo,o Fágner levando um baile do Cortêz, somadas a boa atuação do conjunto alvi-negro, tudo foi estourar na conta da melhor dupla de zagueiros do Brasil, que sucumbiu junto com todo time.

As derrotas sempre ensinam alguma lição valiosa e a de ontem veio em forma de bê-a-bá:
Nunca menospreze o adversário- mesmo que ele não vá brigar, não brigue e nunca tenha brigado por nada na vida. Superioridade tem que ser provada com humildade, jogo a jogo.

Seis pontos do líder, faltando 23 rodadas? Para mim empate técnico!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Maturidade de Campeão!



Diferente da maioria dos jogos em que sai na frente, o Vasco ontem teve postura de time campeão exercendo a arte de segurar um resultado.

Não sou contra quando um time sai na frente e passa a se resguardar um pouco mais para garantir os três pontos, ainda mais quando o faz na casa do adversário e com extrema competência.

Segurar uma partida não significa se enterrar na área e vencer na bacia das almas. E ontem deu gosto de ver. Ao abrir o placar com o golaço de Éder Luiz, após belo passe de Diego Souza, o Vasco melhorou em campo. Passou a trocar passes com um pouco mais de tranqüilidade e enervar o jovem time São Paulino, que não conseguia se livrar da forte marcação que impusemos.

O menino Lucas, cansado de perder bolas, ora para Jumar, ora para Rômulo, resolveu fazer companhia a Dagoberto, fazendo do bolso de Dedé moradia. Os três jogadores, aliás, são os meus destaques na vitória.

Rômulo com regularidade e precisão impressionante nos desarmes . Jumar provando que até segunda ordem é titular, seja no meio campo ou em qualquer uma das laterais. Um lance dele para mim coroou a grande atuação: Quando, no fim, leva o cartão amarelo, ao parar contra-ataque puxado por Marlos. Admiro o jogador que sabe fazer uma falta quando necessário, sem violência, sem pontapé, sem machucar o colega de profissão. Futebol não é só gol e bons jogos não são feitos exclusivamente por isso.

E, claro, Dedé, jogando em um nível mitológico, sem perder sequer um lance, fosse por cima, fosse por baixo. Irritantemente monstruoso. Provando que merece a convocação e quebrando ao meio meia dúzia de cornetas, que dizem que ele não é “tudo isso”.

Diego Souza também merece menção honrosa. O camisa 10 me parece um jogador mais dependente da confiança do que qualquer outro. Após acertar o passe do gol, se encheu de moral e passou a dar as cartas no meio, acertando bons dribles, passes e criando lances de perigo.

E tanto trabalhar bem a bola, a maturidade Vascaína foi coroada com um belo gol no fim. Jumar trocou passes com Felipe e o Maestro bateu no ângulo com estilo. Ele que substituiu Juninho, em tarde pouco inspirada, e inegavelmente melhorou o time, fazendo com que a posse de bola ofensiva fosse aumentada.

Na última vez em que havíamos vencido no Morumbi por Campeonatos Brasileiros, em 89, nem precisa lembrar que Sorato nos garantiu o Bi. Se seremos novamente Campeões Brasileiros? Não sei, acho plenamente possível. E melhor, tenho certeza de que não for esse ano, será em breve. É um processo de amadurecimento. Confesso que depois de anos de sofrimento, é tão bom ver o Vasco sendo pelo menos cogitado. Veja você: A palavra rebaixamento pelo primeiro ano dos pontos corridos, não fez parte do nosso vocabulário uma única vez.

Quarta-Feira o Santos vem pela frente, em São Janú, e, pelo amor, não se pode vacilar. Temos que seguir na toada, confirmando a cada rodada nossa condição. E o Neymar que se cuide, porque ainda tem muito espaço no bolso do Dedé- Indubitavelmente o melhor zagueiro em atividade no futebol Brasileiro.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A decepção foi do tamanho do Vasco



O relógio marcava 37 minutos no segundo tempo quando a voz profética sussurrou no botequim : “O Vasco vai empatar aos 50 minutos”.

Guardei aquilo na cabeça,apesar de nesse instante estar certo de que nem numa partida de uma semana o Vasco conseguiria marcar o gol do empate.

O time martelou durante quase todo o tempo. Cruzamentos em profusão, chutes de fora, chutes na cara do gol, cabeçadas. Tudo foi tentado para tentar vencer Marcelo Lomba, que esteve em noite como “nunca dantes na história desse pereba”. A superioridade não convertia-se em placar e, conforme o tempo passava, a ansiedade aumentava, tanto na torcida quanto em jogadores.

O Reizinho vivia noite de plebeu, mesmo que cada toque dado por ele na bola reiterasse sua realeza. Felipe insistia em seus passes miraculosos e não se dava conta, como acontece com freqüência, que aquela não seria sua noite. Errava praticamente tudo que tentava. E tentava sem parar mesmo assim.

Outro fator me levava a crer que o Bahia venceria essa partida, para nossa profunda decepção. Pensa bem: Como é que um time sofre gol em uma jogada tramada por Souza e Reinaldo? Rômulo parou para pedir impedimento e o contra-ataque desenhou o gol sem grande dificuldade. Aliás, não compartilho da empolgação tão grande a respeito desse rapaz como alguns. Notavelmente é um bom marcador, que comete poucas faltas e rouba muitas bolas. Mas também erra muitos passes e, devo admitir, ainda sobra em mim um resquício de ódio por ele, sentido tantas e tantas vezes num passado nem tão distante.

Mas depois de tanto martelar, insistir, apertar, cercar e dominar, sem que isso produzisse efeito prático, Sandro Meira Ricci resolveu nossos problemas nesse jogo e, talvez, parte deles para o restante da temporada. Ocupando posição que todo vascaíno gostaria de estar, levantou sem dó o cartão vermelho para Márcio Careca que, queira Deus, seja negociado para a Groelândia.

E sua expulsão foi o suficiente. Bastou ele pisar fora do gramado para o campo de força armado em frente a meta baiana se dissolver. Juninho acertou o pé, Dedé disputou no alto, Bernardo cabeçeou pro gol, e Élton ratificou a igualdade, não sem antes dar uma trombada marota em Marcelo Lomba, definido com propriedade no decreto real de Juninho: “ Isso é uma vergonha para o futebol!”

A decepção foi do tamanho do Vasco. Pontos contra times fraquíssimos e fadados ao fracasso, como o Bahia, não podem ser desperdiçados, principalmente quando se consegue ter um nível de atuação como a que tivemos nesta quinta. Disse no texto anterior que uma derrota seria de um anti-clímax sem par.

E o Vasco perdeu.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Na verdade até prefiro"



Já estava com um texto pronto para falar da terceira vitória consecutiva do Vasco no campeonato, ontem, diante do desconjuntado Atlético Mineiro.

Na verdade, o texto vai nascendo dentro da mente no decorrer da partida. Antes de Diego Souza converter o pênalti que deu a vitória por 2 a 1, já no apagar dos luzes, atribuindo justiça ao placar, essas linhas nasciam do descontentamento.

Havíamos desperdiçado um dos raros presentes da arbitragem e víamos escorrer pelo ralo a chance de uma aproximação real da liderança, haja vista a rodada perfeita que se desenhava, com todos os times acima de nós sendo derrotados.

Os comentários já estavam prontos na cabeça e seriam escritos nessa manhã de segunda feira. No entanto, ao abrir a internet, um fato se impôs ante todos os outros. Dedé foi convocado por Mano Menezes e o Vasco voltou a ser representado na seleção brasileira, depois de muito tempo.

Não há dúvidas que o zagueiraço fez por merecer uma lembrança na seleção. Fico feliz pelo jogador e triste por nós. Sim, por que se já seria difícil segurá-lo das investidas do mercado europeu, agora creio que seja praticamente impossível impedir que o negão alce vôo para o velho mundo antes da disputa da Libertadores do ano que vem. Algo que enxergo como uma catástrofe absoluta.

Mas voltemos, de forma sucinta, a análise da vitória de ontem.

As manchetes pré jogo anunciavam a volta de Diego Souza.

E a dúvida pairava: Será que ele realmente voltaria, ou apenas completaria os onze iniciais na lista de escalação, como fazia nas últimas exibições?

A resposta foi dada por ele em campo, dedicando-se até o último minuto, jogando com a faca nos dentes. Cumprindo, pois, a obrigação inicial de todo jogador que veste a camisa mais linda do futebol mundial. Não que tenha feito nada de extraordinário, mas foi o nome do jogo ao marcar duas vezes. E isso sim é extraordinário, principalmente para alguém que se apresentava tão “morimbundamente” há algumas rodadas.

No primeiro gol ele se antecipou a zaga e desviou para as redes o cruzamento perfeito de Julinho. Aliás, parece que encontramos, finalmente, mais um individuo no elenco com capacidade para alçar bolas na área com qualidade(Precisa dizer quem é o outro?). Apesar do gol, o Vasco se apresentou muito mal na primeira etapa e não conseguia encaixar o jogo e trocar passes naquele campo pra lá de safado do Ipantigão.

No segundo gol, Diego teve a personalidade e o culhão que se exige de um camisa 10 ao pegar a bola no último minuto e bater o pênalti da vitória, que como já dito, trouxe justiça e premiou o domínio absoluto do Vasco na segunda etapa, quando finalmente resolveu ser melhor que o Atlético da forma que se espera.

O Vasco enfrenta agora o Bahia, em São Janú, com a obrigação da vitória. Não vencer essa partida será de um anti-climax imperdoável. Com as voltas do REI e Maestro, o renascimento de Diego Souza(Será?), o animador Julinho, o talismã Bernardo, o incansável Éder Luis, o selecionável Dedé e o “Deixa quieto antes que convoquem Anderson Martins”, o Vasco vai montando um elenco forte e um time titular com cara de campeão. Vamos ver até quando vão continuar sem nos levar a sério.

Não que eu ligue. Na verdade até prefiro.

domingo, 10 de julho de 2011

A surpresa da ignorância


Tudo ficou em segundo plano quando Juninho pisou o gramado de São Januário.

Formações, táticas, estratégias, adversários e até mesmo placar. Tudo.

A forma física esplendorosa com a qual nosso capitão desenvolve seu futebol majestoso só é capaz de surpreender à ignorância. Somente àqueles de visão tacanha e curta, que só conseguem analisá-lo com ressalvas, observando-o pelo prisma da idade.

Por outro lado, os que enxergam o Reizinho em sua plenitude, ou seja, como uma Cruz de Malta calçando chuteiras, só vêm sendo ratificado tudo aquilo que já era esperado e até mesmo óbvio.

Pro diabo o ritmo de jogo, os dois anos no semi-profissional futebol do Qatar, os 36 anos de idade. Ressalvas como essas cabem aos jogadores comuns, não se aplicam às exceções. E Juninho é mais que exceção, é único!

Nas arquibancadas de São Januário, dediquei boa parte dos meus olhares a movimentação do Rei. Até mesmo nos momentos em que a bola mostrava visível desconforto, emprestada a outros pés, me detive em analisar Juninho, o soberano dela.

Foi possível vê-lo a todo tempo exercendo a liderança, outorgada pela natureza. Conversava a todo tempo com os companheiros, incentivava os mais jovens, orientava o posicionamento da equipe, gesticulava, conversava com o juiz, pedia o apoio da torcida. Os 36 anos parecem ter sido capazes apenas de torná-lo mais hábil na arte que domina como poucos: Incorporar a camisa vascaína.

E mesmo que por instantes a presença de Juninho tão perto nos tire um pouco da realidade da disputa, o próprio faz questão de nos devolver a ela, quando se lança em carrinhos em direção aos cruzamentos dos adversários, lembrando que muita coisa estava em jogo.

Jogo que terminou em justos 2 a 0 para equipe que, se não jogou bem, pelo menos conseguiu chutar em gol, algo que em nenhum momento foi conseguido pelo forte adversário.

Resultado obtido em duas jogadas que há muito tempo não costumavam nos garantir vitórias. Primeiro um escanteio, muito bem executado por Bernardo que encontrou a cabeçada potente de Rômulo. Na sobra, Éder Luis finalmente desencantou. E depois, no fim da partida, o garoto-cruz-de-malta de 36 anos cobrou mais uma de suas faltas letais que, rebatida, encontrou a testada firme de Dedé.

Esbanjando vigor, Juninho agradeceu a torcida e deu entrevistas a repórteres incrédulos com sua forma invejável. Suas palavras, sempre irritantemente humildes, eram abafadas pela reverência dos poucos mais de oito mil súditos que lá estiveram.

Juninho é raro até nisso! Tem jogador que faz um brilhareco qualquer e já se acha o ídolo da galera. O Rei, que carrega o peso da imaculável e eterna idolatria dos Vascaínos, parece constrangido com a situação. E talvez seja por isso que ele se multiplique dentro de campo, numa espécie de tentativa de retribuir o carinho. Esquece Reizinho, tudo que fazemos é ainda pouco.

Girando a “Primeira Pele” sobre a cabeça e com um aceno ele se despediu do seu povo, já ansioso pelo próximo baile real.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Detalhes


Talvez amanhã seja a última chance do Vasco se inserir na briga pelas primeiras posições.

Vencer o Internacional nos manterá no bolo, com uma distância ainda recuperável da primeira colocação.

A tabela nos reserva a chance de dar um salto interessante.

Depois dos colorados, enfrentaremos o Atlético Paranaense, Atlético MG e Bahia.

No melhor dos cenários, conquistando 100% dos pontos nessas partidas, estaríamos certamente entre os primeiros colocados.

No entanto, é uma leviandade tratar o futebol tão racional e matematicamente.

A matemática se aplica aos esportes, mas futebol é “jogo”.

O campeonato dos pontos corridos é vencido pela regularidade e o Vasco não vai se criar batendo apenas em times já batidos pela própria natureza.

É preciso cortar a cabeça dos rivais diretos, especialmente em casa. O Inter é um deles.

É preciso também apurar o elenco, não só para disputa do título do brasileirão, mas já pensando na sonhada e, muito possível, conquista da Libertadores.

A maior parte do que já precisamos, nós temos, em termos de jogadores titulares, desde que não ocorram transferências.

A base está montada: Prass, Dedé, Anderson Martins, Rômulo, Juninho , Felipe, Éder Luiz.

São necessários dois laterais titulares, e essas contratações devem ser feitas de maneira cirúrgica, assim como será preciso muito cuidado na hora de conseguir um matador. Nenhuma moeda pode ser desperdiçada.

Evidente também que essas não são as únicas carências, é preciso rechear o elenco. Trazer mais um bom zagueiro, de preferência experiente; mais um bom atacante de velocidade para brigar por posição com Éder Luis, um lateral reserva para esquerda e um novo camisa 10, se Diego Souza continuar morcegando.

Torço para que não. É difícil encontrar um jogador no mercado do nível que o Diego Souza pode atingir. Do nível que está, é possível encontrar melhores no atual banco de reservas do Vasco. A presença dele na Saga em 2012 está sujeita ao desempenho que terá no decorrer desta temporada.

E se as carências são assim tão flagrantes, é bom que as soluções comecem a ser encontradas desde agora. Para dar tempo do time se entrosar, ganhar corpo e chegar no ano que vem, aí sim, favorito à conquista de todos os títulos da temporada.

O Vasco precisa de bem pouco para que isso aconteça. Com pressa, e um pouco de sorte, ainda é possível disputar o Brasileiro.

Com o que já temos, vencer a Sul-Americana não seria de causar espanto.

São poucos os ajustes necessários para o Vasco voltar a ser forte como tem que ser.

Detalhes.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Juninho não tem opção: Ficar ou ficar!



O Vasco é hoje um time que joga de barriga cheia.

Confrontando-se com um time que jogou intensamente, querendo tirar a barriga da miséria e o pai da forca, impossível que o resultado fosse outro a não ser a justíssima derrota.

Juninho precisou de dois minutos para mostrar que será o nosso capitão na saga da Libertadores do ano que vem. Além do golaço de falta, conseguiu alçar bolas na áreas melhor do que qualquer outro jogador vascaíno nos últimos 10 anos. Todas, absolutamente todas as bolas que saíram de seus pés ofereceram perigo ao gol adversário. Olha, Reizinho, você não terá opção: É ficar ou ficar!

Após o gol precoce, porém, o Vasco incorreu no mesmo erro que apresenta desde a Copa do Brasil, inclusive. Afundou-se dentro da própria área, deixou-se pressionar e, pressionado a todo tempo, ficou muito mais suscetível às falhas defensivas, como as que aconteceram nos dois gols Corinthianos. A velha história da água mole em pedra dura. Que quase nunca falha. O pior é constatar que tem torcedor que acha que todos os gols são culpa do goleiro. Vai saber.

É certo também que a ousadia de Ricardo Gomes em montar um meio campo de características unicamente ofensivas diminuiu muito nossa pegada. Além de não reter a bola, como é o esperado quando se têm jogadores do nível que temos, não conseguíamos sair do abafa. Os desafogos óbvios, as laterais, são habitadas por figuras nulas e isso gera uma dúvida assustadora: Como que vai ser? Márcio Careca e Fágner até o fim? É isso mesmo? Que nada... o Gerley vem aí...peraí? Ger..QUEM?

Ainda mais nulo que os dois, Diego Souza. Figura tão alheia à partida que é impossível até mesmo se irritar com ele. Não pega na bola, não é visto, não tem o nome narrado, nem mesmo as mais modernas câmeras televisas são capazes de achá-lo no gramado. O banco não parece questão de tempo, parece questão de bom senso. Faz o simples Ricardo: O meio campo ta sem pegada? Coloca o Eduardo Costa no lugar do Diego e adianta o Juninho. Qualidade, pegada e principalmente, onze jogadores contribuindo em campo.

Se o camisa 10 não consegue sequer nos irritar, o camisa 9 o faz com excelência. Ainda assim, a qualidade das atuações dos centroavantes comuns, como é o caso do Alecsandro, é estritamente ligada a atuação do conjunto. O time não criou e ele teve que vir buscar a bola para tentar participar do jogo e justificar o salário que recebe. Toda vez que o Alecsandro tiver que participar de outra forma que não seja esticar o pé para empurrar a bola pra rede, ele vai irritar.

Felipe é outro caso curioso. Convencido de que tem 33 anos de idade, joga bola que é uma beleza, mas tem vezes que ele decide operar em 46 anos. Ontem nem foi tanto o caso. Não estava em uma noite inspirada e como normalmente acontece, ele falha em não se dar conta disso. Tentou a todo momento enfiar bolas mágicas para os companheiros. Errou todas. Assim como errou Éder Luis, em vertiginosa queda de produção.

Ainda assim, se Ricardo Gomes conseguir novamente despertar a fome nesse elenco e com a melhor ambientação do Juninho, que será rápida como já esperava, é possível se manter no bolo de cima.

Enfastiados, de barriga cheia, sem tesão e com a certeza de que o pai está sentado na poltrona bebendo cerveja e não na forca, o Vasco vai só “ brincar no Brasileiro”.

Uma pena.

Quem sabe na Sul-Americana, com a possibilidade de um apetitoso título internacional, o Vasco resolva fazer uma boquinha.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cruz em Carne



O último ato do Rei diante de seu povo é representativo e , sobretudo, inesquecível .

Um tapa na gaveta e um beijo na camisa que defendeu como poucos. Emocionado, abre os braços e é reverenciado pelos companheiros e pela multidão. Era a despedida, a última glória de um reinado de vitórias.

De lá pra cá, Juninho ganhou o mundo.

Na França, mostrou a todos o que todo Vascaíno sabe desde o gol monumental: Estamos diante do maior batedor de faltas de toda história.

Resumi-lo dessa forma, no entanto, é dizer menos do que precisa ser dito. Juninho é muito mais do que um cobrador de faltas excepcional. Dinâmico, moderno, forte, habilidoso, preciso. Raro.

Na Seleção, mal aproveitado, foi sempre coadjuvante de luxo. Provavelmente o ambiente anti-profissional que viveu na Copa de 2006 o fez se despedir precocemente, antes mesmo da seleção não precisar mais dele.

Quando se foi, há 11 anos de saudade, levou com ele uma parte dos nossos corações.

De mim, levou também a eterna gratidão.

Juninho nunca deveu nada a nós, apesar de muitos terem cobrado sua volta como se obrigação fosse.

Tem gente que olha para o Juninho e só consegue ver 36 anos de idade.

Eu olho e vejo uma Cruz de Malta em pé, em carne e osso.

Você espera o mesmo Juninho de 10 anos atrás? Eu espero um ainda melhor!

Não falo de outros fatores em que ele certamente vai agregar. A Liderança, experiência, profissionalismo e principalmente o espelho da melhor qualidade que ele será para os jovens do elenco. Falo somente de futebol.

Futebol fantástico, aliás, o único que o Reizinho conseguiu aprender a praticar em toda carreira. Figura raríssima, para quem treinar trata-se de “um prazer”.

O sentimento Vascaíno entra em campo hoje, representado pelo o único que é capaz de personificá-lo à perfeição!

Um novo reinado se inicia!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Um placar mentiroso e justo



Felipe tem razão quando afirma que o placar de Vasco e Cruzeiro mente sobre a realidade do jogo.

O Maestro, no entanto, perde boa parte dela quando critica a postura da torcida, que ao fim do jogo revelou a descontentação vaiando a equipe.

Ora, Felipe, você já têm vivência e maturidade o suficiente para saber que toda vez que o Vasco perder por 3 a 0 dentro de São Januário, para o Cruzeiro ou para o Barcelona, será repreendido pela torcida.O camisa 6 criticou a pequena presença de público também, mas isso é problema dos caras da CBF. Quem faz o calendário fica pensando, meticulosamente, qual é o melhor pior horário para o público comparecer.

O fato deste elenco ter nos tirado da fila de oito anos não o exime de responsabilidade. Pelo contrário. O título elevou o nível de exigência da torcida, que agora quer mais e mais e mais e mais, justamente por saber do potencial.

O Vasco fez um bom primeiro tempo mas não conseguiu transformar a maior posse de bola e as poucas chances criadas em gol. Se impôs ante um Cruzeiro retrancado, que jogava e jogou, durante 90 minutos, pelo zero a zero.

Joel Santana dá mostras de que, pelo menos, vai tentar estragar o bom time mineiro. Lembro-me de várias derrotas para Cruzeiro. Admitamos, nos últimos anos elas são para lá de constantes. Não lembrava, porém, de termos perdido para um Cruzeiro tão covarde. Não lembro de um placar mentiroso.

Mentiroso, porém justo.

Embora o gol de Leandro Guerreiro ( veja você!), que sacramentou a vitória, tenha sido um achado, toda equipe que leva gol em cobranças de escanteio deve SEMPRE perder.

Este, já disse milhares de vezes, é o gol mais inadmissível do futebol, pois SEMPRE é produto de falha e nunca fruto do mérito. Neste, especialmente, produto de duas falhas. A pixotada de Fernando Prass que origina o escanteio e a passividade da defesa que olha o adversário subir absolutamente sozinho. Já é o segundo desse tipo no campeonato. Ricardo Gomes tem que ver isso aí, sob o risco dessas falhas minarem, como já minam, ainda mais nossa caminhada.

Os outros dois gols vieram no fim, quando o Vasco já estava inteiramente desarrumado em campo, tentando um gol à moda Boi para empatar. Não fosse o primeiro, ou venceríamos ou empataríamos por zero. Neste ultimo caso, o Cruzeiro cumpriria a missão a qual foi designado no Rio.

O gol sofrido no início da segunda etapa desarrumou o Vasco. Felipe tentava dar seus passes, Éder Luis colocava sua habitual correria para cima dos defensores, mas as bolas esbarravam sempre nas novas, e cada vez mais habituais, más atuações de Alecsandro e Diego Souza.

O primeiro vai fazer gol quando a bola chegar-lhe em boas condições e só. O segundo, porém, me preocupa mais. Diego Souza faz muito menos do que se espera de um camisa 10.

Menos mal que Juninho já poderá estrear e, com ritmo, vai requerer uma das vagas naquele meio campo. Portanto, é bom neguinho começar a se coçar.

O campeonato ainda está no início e a distância para liderança, único posto que nos interessa, é de apenas 5 pontos.Estamos no bolo.

Pegaremos o líder Corinthians na próxima rodada. Os paulistas vêm a cada rodada encorpando na competição, mas estão longe de ser imbatíveis. É a chance de encostar. O Vasco não pode desperdiçá-la. Quando se perde em casa, a OBRIGAÇÃO é buscar fora.

Não podemos fugir da nossa.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Metade, só metade!


O nome de Fernando Prass deve estar na primeira linha de qualquer análise sobre a vitória simples do Vasco sobre o Atlético Goianiense.

O goleiro se vestiu de muro e, junto dos dois melhores zagueiros do Brasil, foi o grande o responsável por fazer que o golaço relâmpago do maestro Felipe, também de menção obrigatória, garantisse o importante resultado fora de casa.

Nosso capitão merece todos os louros da vitória e os merecidos tapinhas nas costas dos companheiros, agradecidos pelo “bicho” garantido. Mas pêra aí! Tenho que confessar de que quando o Vasco enfrenta o Atlético ( Qualquer um deles!), não espero que o nosso arqueiro seja o melhor em campo.

Isso significa apenas uma coisa: O Vasco não cumpriu toda sua obrigação na partida.

Penso que só realizamos metade, a mais importante pelo menos, ainda assim apenas a metade de nossa responsabilidade. Vencemos o jogo, acumulamos mais três pontos, mas não cumprimos nossa obrigação institucional de dominar um adversário mínimo, independente do território goiano, carioca, terráqueo ou lunar.

O gol cedo geralmente é um prenúncio: De goleada ou de perigo.

Cabe ao time definir a postura que irá adotar a partir dele e enveredar por um desses caminhos. O Vasco do primeiro tempo pareceu que iria em busca da vitória tranqüila, embora a estrela de Fernando Prass já tivesse dado indícios que brilharia. O time controlou a posse de bola no campo de ataque, se valendo da maior qualidade que têm.

A segunda etapa foi de uma postura preocupante ao meu ver. Houve um recuo excessivo e o Vasco foi pressionado. É até normal que um time atrás no placar ensaie uma pressão, mas acho inadmissível que o time campeão se conforme com isso e deixe-se pressionar. Por que abdicar de ser melhor? Por que abdicar da maior capacidade técnica e não trabalhar a bola no campo ofensivo? Toca, toca, trabalha, devolve, toca, trabalha...simples assim! Temos time para isso e o Atlético (Qualquer um deles!), não têm time para evitar nossa supremacia se este for nosso desejo.

Na parte final, alguns contra-ataques foram puxados, mas o erro no último passe, aquele que o Felipe e o Juninho costumam sempre acertar, caíram sempre em pés menos precisos. A má partida de Éder Luiz e a fantasmagórica atuação de Diego Souza contribuíram para o não funcionamento da nossa estratégia. Mas vá lá, vencemos e nos aproximamos do primeiro posto, que há de ser nosso no final! Se não fossem os quatro pontos imbecilmente jogados fora, estaríamos lá!

Depois de uma fase de baixa na tabela, teremos candidatos ao título pela frente. Vamos ver se teremos a atitude campeã e seguir firme no objetivo.

Para não passar batido, também é questão de obrigação reverenciar a grande massa cruzmaltina que esteve no Serra Dourada ontem. Massa que mostra, repetidas vezes, que está em grande número em todo território nacional, contrariando os métodos interesseiros das pesquisas. Parabéns para nós!

E o Data... ... ... o Datafoda-se

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Do melhor, só o melhor!



Absolutamente lamentável o empate entre Vasco e Grêmio.

Coloque aí na conta: Já são quatro pontos que jogamos dentro da lata do lixo.
Os dois perdidos ontem e os dois perdidos em São Januário, no último sábado, diante do fraquíssimo Figueirense

Haveríamos de estar agora com 12 pontos, separados por três pontos da liderança, nosso único objetivo.

Diante dos gaúchos, falha defensiva gravíssima: O Gol de escanteio sempre será o mais inaceitável do Football Association. O time campeão não pode errar gravemente desta maneira.

Do melhor, só podemos cobrar o melhor. Por isso você até pode considerar extremismo - Fundamentalismo Vascaíno- talvez, mas é justamente nessa hora que a nossa caneta deve ficar mais pesada.

Temos nós, torcida, o dever de impedir que o relaxamento chegue ao nosso elenco. É hora de exigir empenho e concentração máxima durante os 90 minutos de partida. É hora de exigir incansável busca pelo título Brasileiro.

A cobrança é proporcional ao potencial. O Vasco joga com postura de vencedor fora de casa, e isso é importantíssimo nos pontos corridos. Vencendo fora e a torcida comprando o barulho em São Januário, ocorre a química perfeita que resulta em taça. Mas tudo isso vai por água abaixo se jogarmos pontos pela janela.

Ontem começamos acuados pelo Grêmio no Olímpico. Fomos pressionados, e o juiz decidiu apitar uma pênalti inexistente. Em outros tempos, gol certo. Hoje em dia, até Fernando Prass tá pegando penalidade. A partir daí começamos a tomar conta do jogo. Éder Luis teve chance límpida de marcar,mas faltou-lhe o cacoete artilheiro. Éder é o rei do gol improvável, mas comumente nega fogo quando têm tudo para carimbar.

O segundo tempo foi de equilíbrio. Um jogo cozinhado em banho Maria, aparentemente fadado a igualdade medíocre do zero. Até Bernardo entrar no lugar de Diego Souza- desligado ou fora da área de cobertura- e acertar um “chutamento” na gaveta do goleiro gremista. Passou-se o tempo e aí você já sabe a merda que deu.


Chateado com a derrota, sim, derrota( não empate com sabor de), fui assistir mesas redondas. E para minha surpresa, Juninho Pernambucano estava no programa Esporte Visão da TV Brasil. A cada entrevista que vejo do nosso monarca, maior minha admiração e respeito por ele. E mais. Juninho sempre foi atleta acima da média, articulado de forma incomum, e notabiliza-se por não dar “migué” e nem ficar cheio de “mimimi”.Considerando isso, que bom vê-lo dizendo “ Vim para o Vasco porque posso jogar em alto nível e tenho certeza que ainda posso ajudar muito a equipe do Vasco”. Certamente a exeperiência de Juninho em campo vai minimizar os riscos de resultados circunstancialmente lamentáveis como o de ontem.

sábado, 18 de junho de 2011

O Mantra



A diferença básica entre times comuns e times campeões, é que os primeiros se bastam com conquistas esporádicas. Ao atingirem o triunfo que seja, sentem-se imediatamente saciados. Os campeões, por sua vez, consideram a conquista apenas o primeiro passo para próxima, e próxima e próxima e assim sucessivamente. O Campeão é por natureza um insaciável! É aquele que jamais busca o topo, por saber que se trata de uma utopia, uma vez que sempre haverá uma nova meta, um novo objetivo a ser conquistado, um “novo topo”.

Campeões jamais relaxam, e o nosso amado Vasco, campeão de berço, não deve fraquejar. Assumiu-se nos últimos anos uma lógica de metas um tanto quanto esquisita nos campeonatos brasileiros. Lógica em que os times passaram a comemorar vagas ao invés de não as considerarem consolação pela perda do título. Esse pensamento faz com que equipes que no primeiro semestre vencem a Copa do Brasil, e nessa análise, atingem o objetivo máximo da temporada, esmoreçam na disputa do campeonato nacional mais equilibrado do mundo. Tudo bem, pode soar um pouco xiita. Para alguns times, como o nosso, por exemplo, voltar a Libertadores é um feito. Imensamente menor, porém, do que conquistar mais uma taça.

O Campeonato Brasileiro não é um bolsão de vagas para libertadores. Ali disputa-se o título mais relevante da temporada doméstica. Ali duelam os 20 times mais fortes do país e é justamente ali que o Vasco tem que mostrar, mais uma vez, sua supremacia. Fosse a conquista da Copa do Brasil mero acaso , e não uma demonstração inconteste de superioridade perante todos os demais participantes, o comum time vencedor poderia se dar ao luxo de usar o nacional como laboratório.

O Campeão não se pode dar esse direito. O Campeão usa a conquista como trampolim motivacional para a conquista seguinte. E outra. O Vasco tem time e elenco para brigar na parte mais alta da tabela. Com uma das metas já no bolso (A menor delas, registre-se), só nos resta lutar pelo título com todas as nossas forças e empenho. Para mim trata-se de uma OBRIGAÇÃO almejá-lo, pelo menos!

Temos hoje um sistema defensivo sólido, onde atua a MELHOR DUPLA DE ZAGA do Futebol nacional e arrisco-me a dizer continental, pelo que pude observar na edição atual da Libertadores. Falando nisso, pediria a torcida vascaína que falasse baixinho-baixinho o nome do Anderson Martins. As aptidões do nosso instransponível Dedé já caíram nos ouvidos do mundo, e o Anderson tem tudo para trilhar o mesmo caminho. Por isso, nada de ficar cobrando reconhecimento da mídia quanto ao ZAGUEIRAÇO da camisa 25. Deixa ele escondido “com nós” aqui, embora seja difícil e já pipoquem notícias a respeito dele, cada dia mais . As laterais estão um pouco deficientes , especialmente a esquerda, onde revezam-se o inexistente Márcio Careca e o falecido Ramón( Deus o tenha ou alguém o leve!). Allan, Fágner, Irrazábal e Max, nessa ordem, dá pra quebrar um galho. o Fágner é o melhor deles(Disparado), basta se recuperar para reassumir a titularidade. Por enquanto vamos de Allan.

No meio campo, também um ótimo cenário. Que equipes do Brasil contam neste setor com quatro talentos como o Vasco hoje possui? Felipe e toda sua experiência, categoria, visão de jogo fora do comum. Diego Souza com sua força, vigor, habilidade e vocação do gol. Bernardo e sua habilidade e seu grande potencial evolutivo. Uma preciosidade ainda carente de cuidadosa lapidação, é bem verdade. E por último, o nosso incomparável monarca Antonio Augusto Ribeiro Reis Júnior, com seus passes preciosos, precisão cirúrgica em cobranças de falta, liderança, profissionalismo, caráter. Juninho é o exemplo de atleta e de ser humano. Na parte defensiva do meio campo, também se encontrou uma forma de jogar. Rômulo, o surpreendente Rômulo, Eduardo Costa, Felipe Bastos, Jumar e o “loucumelo” do Nílton são seguramente capazes de dar a consistência defensiva suficiente.

No ataque, bom, o ataque parece ainda ser o maior de nossos problemas. Alecsandro e Élton são centro-avantes que sempre deixarão suas marcas em times estruturados, como é hoje o Vasco de Ricardo Gomes. No entanto, até entrando em um assunto que gostaria de tratar em outra oportunidade com mais esmero, será preciso de um atacante mais intimidador para disputa da Libertadores, ao menos essa é minha avaliação. É preciso de alguém mais “pesado” para jogar ao lado do inesgotável Éder Luis. O time tem sua base e como todo bom time, começa pelo bom goleiro Fernando Prass. Já achei nosso camisa 1 espetacular e hoje considero apenas bom. Entenda: O gol não será problema.

Nesse domingo jogaremos diante do time muito do mais ou menos do Grêmio. O jogo é no Olímpico e como já é esperado no campeonato mais difícil do planeta, será pedreira. Tanto pra eles quanto pra nós. Ajuda, e muito, se os comandados de Renight acreditarem em um Vasco relaxado como declarou-se ao longo da semana. Parece estranho imaginar isso, pelo menos por agora. O que espero do Vasco e de um time CAMPEÃO, como o Vasco, é que se lute ao máximo pelo título e apenas tire o pé da divida na hora que a bola já estiver perdida, se é que ela estará em algum momento. Imagino um Vasco sedento e alegre no gramado do Olímpico, querendo provar que não chegou onde está por acaso. Ensinem aos gaúchos e repita-se como um mantra: Campeões não relaxam. Jamais!