sábado, 18 de junho de 2011

O Mantra



A diferença básica entre times comuns e times campeões, é que os primeiros se bastam com conquistas esporádicas. Ao atingirem o triunfo que seja, sentem-se imediatamente saciados. Os campeões, por sua vez, consideram a conquista apenas o primeiro passo para próxima, e próxima e próxima e assim sucessivamente. O Campeão é por natureza um insaciável! É aquele que jamais busca o topo, por saber que se trata de uma utopia, uma vez que sempre haverá uma nova meta, um novo objetivo a ser conquistado, um “novo topo”.

Campeões jamais relaxam, e o nosso amado Vasco, campeão de berço, não deve fraquejar. Assumiu-se nos últimos anos uma lógica de metas um tanto quanto esquisita nos campeonatos brasileiros. Lógica em que os times passaram a comemorar vagas ao invés de não as considerarem consolação pela perda do título. Esse pensamento faz com que equipes que no primeiro semestre vencem a Copa do Brasil, e nessa análise, atingem o objetivo máximo da temporada, esmoreçam na disputa do campeonato nacional mais equilibrado do mundo. Tudo bem, pode soar um pouco xiita. Para alguns times, como o nosso, por exemplo, voltar a Libertadores é um feito. Imensamente menor, porém, do que conquistar mais uma taça.

O Campeonato Brasileiro não é um bolsão de vagas para libertadores. Ali disputa-se o título mais relevante da temporada doméstica. Ali duelam os 20 times mais fortes do país e é justamente ali que o Vasco tem que mostrar, mais uma vez, sua supremacia. Fosse a conquista da Copa do Brasil mero acaso , e não uma demonstração inconteste de superioridade perante todos os demais participantes, o comum time vencedor poderia se dar ao luxo de usar o nacional como laboratório.

O Campeão não se pode dar esse direito. O Campeão usa a conquista como trampolim motivacional para a conquista seguinte. E outra. O Vasco tem time e elenco para brigar na parte mais alta da tabela. Com uma das metas já no bolso (A menor delas, registre-se), só nos resta lutar pelo título com todas as nossas forças e empenho. Para mim trata-se de uma OBRIGAÇÃO almejá-lo, pelo menos!

Temos hoje um sistema defensivo sólido, onde atua a MELHOR DUPLA DE ZAGA do Futebol nacional e arrisco-me a dizer continental, pelo que pude observar na edição atual da Libertadores. Falando nisso, pediria a torcida vascaína que falasse baixinho-baixinho o nome do Anderson Martins. As aptidões do nosso instransponível Dedé já caíram nos ouvidos do mundo, e o Anderson tem tudo para trilhar o mesmo caminho. Por isso, nada de ficar cobrando reconhecimento da mídia quanto ao ZAGUEIRAÇO da camisa 25. Deixa ele escondido “com nós” aqui, embora seja difícil e já pipoquem notícias a respeito dele, cada dia mais . As laterais estão um pouco deficientes , especialmente a esquerda, onde revezam-se o inexistente Márcio Careca e o falecido Ramón( Deus o tenha ou alguém o leve!). Allan, Fágner, Irrazábal e Max, nessa ordem, dá pra quebrar um galho. o Fágner é o melhor deles(Disparado), basta se recuperar para reassumir a titularidade. Por enquanto vamos de Allan.

No meio campo, também um ótimo cenário. Que equipes do Brasil contam neste setor com quatro talentos como o Vasco hoje possui? Felipe e toda sua experiência, categoria, visão de jogo fora do comum. Diego Souza com sua força, vigor, habilidade e vocação do gol. Bernardo e sua habilidade e seu grande potencial evolutivo. Uma preciosidade ainda carente de cuidadosa lapidação, é bem verdade. E por último, o nosso incomparável monarca Antonio Augusto Ribeiro Reis Júnior, com seus passes preciosos, precisão cirúrgica em cobranças de falta, liderança, profissionalismo, caráter. Juninho é o exemplo de atleta e de ser humano. Na parte defensiva do meio campo, também se encontrou uma forma de jogar. Rômulo, o surpreendente Rômulo, Eduardo Costa, Felipe Bastos, Jumar e o “loucumelo” do Nílton são seguramente capazes de dar a consistência defensiva suficiente.

No ataque, bom, o ataque parece ainda ser o maior de nossos problemas. Alecsandro e Élton são centro-avantes que sempre deixarão suas marcas em times estruturados, como é hoje o Vasco de Ricardo Gomes. No entanto, até entrando em um assunto que gostaria de tratar em outra oportunidade com mais esmero, será preciso de um atacante mais intimidador para disputa da Libertadores, ao menos essa é minha avaliação. É preciso de alguém mais “pesado” para jogar ao lado do inesgotável Éder Luis. O time tem sua base e como todo bom time, começa pelo bom goleiro Fernando Prass. Já achei nosso camisa 1 espetacular e hoje considero apenas bom. Entenda: O gol não será problema.

Nesse domingo jogaremos diante do time muito do mais ou menos do Grêmio. O jogo é no Olímpico e como já é esperado no campeonato mais difícil do planeta, será pedreira. Tanto pra eles quanto pra nós. Ajuda, e muito, se os comandados de Renight acreditarem em um Vasco relaxado como declarou-se ao longo da semana. Parece estranho imaginar isso, pelo menos por agora. O que espero do Vasco e de um time CAMPEÃO, como o Vasco, é que se lute ao máximo pelo título e apenas tire o pé da divida na hora que a bola já estiver perdida, se é que ela estará em algum momento. Imagino um Vasco sedento e alegre no gramado do Olímpico, querendo provar que não chegou onde está por acaso. Ensinem aos gaúchos e repita-se como um mantra: Campeões não relaxam. Jamais!

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