quinta-feira, 28 de julho de 2011

A decepção foi do tamanho do Vasco



O relógio marcava 37 minutos no segundo tempo quando a voz profética sussurrou no botequim : “O Vasco vai empatar aos 50 minutos”.

Guardei aquilo na cabeça,apesar de nesse instante estar certo de que nem numa partida de uma semana o Vasco conseguiria marcar o gol do empate.

O time martelou durante quase todo o tempo. Cruzamentos em profusão, chutes de fora, chutes na cara do gol, cabeçadas. Tudo foi tentado para tentar vencer Marcelo Lomba, que esteve em noite como “nunca dantes na história desse pereba”. A superioridade não convertia-se em placar e, conforme o tempo passava, a ansiedade aumentava, tanto na torcida quanto em jogadores.

O Reizinho vivia noite de plebeu, mesmo que cada toque dado por ele na bola reiterasse sua realeza. Felipe insistia em seus passes miraculosos e não se dava conta, como acontece com freqüência, que aquela não seria sua noite. Errava praticamente tudo que tentava. E tentava sem parar mesmo assim.

Outro fator me levava a crer que o Bahia venceria essa partida, para nossa profunda decepção. Pensa bem: Como é que um time sofre gol em uma jogada tramada por Souza e Reinaldo? Rômulo parou para pedir impedimento e o contra-ataque desenhou o gol sem grande dificuldade. Aliás, não compartilho da empolgação tão grande a respeito desse rapaz como alguns. Notavelmente é um bom marcador, que comete poucas faltas e rouba muitas bolas. Mas também erra muitos passes e, devo admitir, ainda sobra em mim um resquício de ódio por ele, sentido tantas e tantas vezes num passado nem tão distante.

Mas depois de tanto martelar, insistir, apertar, cercar e dominar, sem que isso produzisse efeito prático, Sandro Meira Ricci resolveu nossos problemas nesse jogo e, talvez, parte deles para o restante da temporada. Ocupando posição que todo vascaíno gostaria de estar, levantou sem dó o cartão vermelho para Márcio Careca que, queira Deus, seja negociado para a Groelândia.

E sua expulsão foi o suficiente. Bastou ele pisar fora do gramado para o campo de força armado em frente a meta baiana se dissolver. Juninho acertou o pé, Dedé disputou no alto, Bernardo cabeçeou pro gol, e Élton ratificou a igualdade, não sem antes dar uma trombada marota em Marcelo Lomba, definido com propriedade no decreto real de Juninho: “ Isso é uma vergonha para o futebol!”

A decepção foi do tamanho do Vasco. Pontos contra times fraquíssimos e fadados ao fracasso, como o Bahia, não podem ser desperdiçados, principalmente quando se consegue ter um nível de atuação como a que tivemos nesta quinta. Disse no texto anterior que uma derrota seria de um anti-clímax sem par.

E o Vasco perdeu.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Na verdade até prefiro"



Já estava com um texto pronto para falar da terceira vitória consecutiva do Vasco no campeonato, ontem, diante do desconjuntado Atlético Mineiro.

Na verdade, o texto vai nascendo dentro da mente no decorrer da partida. Antes de Diego Souza converter o pênalti que deu a vitória por 2 a 1, já no apagar dos luzes, atribuindo justiça ao placar, essas linhas nasciam do descontentamento.

Havíamos desperdiçado um dos raros presentes da arbitragem e víamos escorrer pelo ralo a chance de uma aproximação real da liderança, haja vista a rodada perfeita que se desenhava, com todos os times acima de nós sendo derrotados.

Os comentários já estavam prontos na cabeça e seriam escritos nessa manhã de segunda feira. No entanto, ao abrir a internet, um fato se impôs ante todos os outros. Dedé foi convocado por Mano Menezes e o Vasco voltou a ser representado na seleção brasileira, depois de muito tempo.

Não há dúvidas que o zagueiraço fez por merecer uma lembrança na seleção. Fico feliz pelo jogador e triste por nós. Sim, por que se já seria difícil segurá-lo das investidas do mercado europeu, agora creio que seja praticamente impossível impedir que o negão alce vôo para o velho mundo antes da disputa da Libertadores do ano que vem. Algo que enxergo como uma catástrofe absoluta.

Mas voltemos, de forma sucinta, a análise da vitória de ontem.

As manchetes pré jogo anunciavam a volta de Diego Souza.

E a dúvida pairava: Será que ele realmente voltaria, ou apenas completaria os onze iniciais na lista de escalação, como fazia nas últimas exibições?

A resposta foi dada por ele em campo, dedicando-se até o último minuto, jogando com a faca nos dentes. Cumprindo, pois, a obrigação inicial de todo jogador que veste a camisa mais linda do futebol mundial. Não que tenha feito nada de extraordinário, mas foi o nome do jogo ao marcar duas vezes. E isso sim é extraordinário, principalmente para alguém que se apresentava tão “morimbundamente” há algumas rodadas.

No primeiro gol ele se antecipou a zaga e desviou para as redes o cruzamento perfeito de Julinho. Aliás, parece que encontramos, finalmente, mais um individuo no elenco com capacidade para alçar bolas na área com qualidade(Precisa dizer quem é o outro?). Apesar do gol, o Vasco se apresentou muito mal na primeira etapa e não conseguia encaixar o jogo e trocar passes naquele campo pra lá de safado do Ipantigão.

No segundo gol, Diego teve a personalidade e o culhão que se exige de um camisa 10 ao pegar a bola no último minuto e bater o pênalti da vitória, que como já dito, trouxe justiça e premiou o domínio absoluto do Vasco na segunda etapa, quando finalmente resolveu ser melhor que o Atlético da forma que se espera.

O Vasco enfrenta agora o Bahia, em São Janú, com a obrigação da vitória. Não vencer essa partida será de um anti-climax imperdoável. Com as voltas do REI e Maestro, o renascimento de Diego Souza(Será?), o animador Julinho, o talismã Bernardo, o incansável Éder Luis, o selecionável Dedé e o “Deixa quieto antes que convoquem Anderson Martins”, o Vasco vai montando um elenco forte e um time titular com cara de campeão. Vamos ver até quando vão continuar sem nos levar a sério.

Não que eu ligue. Na verdade até prefiro.

domingo, 10 de julho de 2011

A surpresa da ignorância


Tudo ficou em segundo plano quando Juninho pisou o gramado de São Januário.

Formações, táticas, estratégias, adversários e até mesmo placar. Tudo.

A forma física esplendorosa com a qual nosso capitão desenvolve seu futebol majestoso só é capaz de surpreender à ignorância. Somente àqueles de visão tacanha e curta, que só conseguem analisá-lo com ressalvas, observando-o pelo prisma da idade.

Por outro lado, os que enxergam o Reizinho em sua plenitude, ou seja, como uma Cruz de Malta calçando chuteiras, só vêm sendo ratificado tudo aquilo que já era esperado e até mesmo óbvio.

Pro diabo o ritmo de jogo, os dois anos no semi-profissional futebol do Qatar, os 36 anos de idade. Ressalvas como essas cabem aos jogadores comuns, não se aplicam às exceções. E Juninho é mais que exceção, é único!

Nas arquibancadas de São Januário, dediquei boa parte dos meus olhares a movimentação do Rei. Até mesmo nos momentos em que a bola mostrava visível desconforto, emprestada a outros pés, me detive em analisar Juninho, o soberano dela.

Foi possível vê-lo a todo tempo exercendo a liderança, outorgada pela natureza. Conversava a todo tempo com os companheiros, incentivava os mais jovens, orientava o posicionamento da equipe, gesticulava, conversava com o juiz, pedia o apoio da torcida. Os 36 anos parecem ter sido capazes apenas de torná-lo mais hábil na arte que domina como poucos: Incorporar a camisa vascaína.

E mesmo que por instantes a presença de Juninho tão perto nos tire um pouco da realidade da disputa, o próprio faz questão de nos devolver a ela, quando se lança em carrinhos em direção aos cruzamentos dos adversários, lembrando que muita coisa estava em jogo.

Jogo que terminou em justos 2 a 0 para equipe que, se não jogou bem, pelo menos conseguiu chutar em gol, algo que em nenhum momento foi conseguido pelo forte adversário.

Resultado obtido em duas jogadas que há muito tempo não costumavam nos garantir vitórias. Primeiro um escanteio, muito bem executado por Bernardo que encontrou a cabeçada potente de Rômulo. Na sobra, Éder Luis finalmente desencantou. E depois, no fim da partida, o garoto-cruz-de-malta de 36 anos cobrou mais uma de suas faltas letais que, rebatida, encontrou a testada firme de Dedé.

Esbanjando vigor, Juninho agradeceu a torcida e deu entrevistas a repórteres incrédulos com sua forma invejável. Suas palavras, sempre irritantemente humildes, eram abafadas pela reverência dos poucos mais de oito mil súditos que lá estiveram.

Juninho é raro até nisso! Tem jogador que faz um brilhareco qualquer e já se acha o ídolo da galera. O Rei, que carrega o peso da imaculável e eterna idolatria dos Vascaínos, parece constrangido com a situação. E talvez seja por isso que ele se multiplique dentro de campo, numa espécie de tentativa de retribuir o carinho. Esquece Reizinho, tudo que fazemos é ainda pouco.

Girando a “Primeira Pele” sobre a cabeça e com um aceno ele se despediu do seu povo, já ansioso pelo próximo baile real.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Detalhes


Talvez amanhã seja a última chance do Vasco se inserir na briga pelas primeiras posições.

Vencer o Internacional nos manterá no bolo, com uma distância ainda recuperável da primeira colocação.

A tabela nos reserva a chance de dar um salto interessante.

Depois dos colorados, enfrentaremos o Atlético Paranaense, Atlético MG e Bahia.

No melhor dos cenários, conquistando 100% dos pontos nessas partidas, estaríamos certamente entre os primeiros colocados.

No entanto, é uma leviandade tratar o futebol tão racional e matematicamente.

A matemática se aplica aos esportes, mas futebol é “jogo”.

O campeonato dos pontos corridos é vencido pela regularidade e o Vasco não vai se criar batendo apenas em times já batidos pela própria natureza.

É preciso cortar a cabeça dos rivais diretos, especialmente em casa. O Inter é um deles.

É preciso também apurar o elenco, não só para disputa do título do brasileirão, mas já pensando na sonhada e, muito possível, conquista da Libertadores.

A maior parte do que já precisamos, nós temos, em termos de jogadores titulares, desde que não ocorram transferências.

A base está montada: Prass, Dedé, Anderson Martins, Rômulo, Juninho , Felipe, Éder Luiz.

São necessários dois laterais titulares, e essas contratações devem ser feitas de maneira cirúrgica, assim como será preciso muito cuidado na hora de conseguir um matador. Nenhuma moeda pode ser desperdiçada.

Evidente também que essas não são as únicas carências, é preciso rechear o elenco. Trazer mais um bom zagueiro, de preferência experiente; mais um bom atacante de velocidade para brigar por posição com Éder Luis, um lateral reserva para esquerda e um novo camisa 10, se Diego Souza continuar morcegando.

Torço para que não. É difícil encontrar um jogador no mercado do nível que o Diego Souza pode atingir. Do nível que está, é possível encontrar melhores no atual banco de reservas do Vasco. A presença dele na Saga em 2012 está sujeita ao desempenho que terá no decorrer desta temporada.

E se as carências são assim tão flagrantes, é bom que as soluções comecem a ser encontradas desde agora. Para dar tempo do time se entrosar, ganhar corpo e chegar no ano que vem, aí sim, favorito à conquista de todos os títulos da temporada.

O Vasco precisa de bem pouco para que isso aconteça. Com pressa, e um pouco de sorte, ainda é possível disputar o Brasileiro.

Com o que já temos, vencer a Sul-Americana não seria de causar espanto.

São poucos os ajustes necessários para o Vasco voltar a ser forte como tem que ser.

Detalhes.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Juninho não tem opção: Ficar ou ficar!



O Vasco é hoje um time que joga de barriga cheia.

Confrontando-se com um time que jogou intensamente, querendo tirar a barriga da miséria e o pai da forca, impossível que o resultado fosse outro a não ser a justíssima derrota.

Juninho precisou de dois minutos para mostrar que será o nosso capitão na saga da Libertadores do ano que vem. Além do golaço de falta, conseguiu alçar bolas na áreas melhor do que qualquer outro jogador vascaíno nos últimos 10 anos. Todas, absolutamente todas as bolas que saíram de seus pés ofereceram perigo ao gol adversário. Olha, Reizinho, você não terá opção: É ficar ou ficar!

Após o gol precoce, porém, o Vasco incorreu no mesmo erro que apresenta desde a Copa do Brasil, inclusive. Afundou-se dentro da própria área, deixou-se pressionar e, pressionado a todo tempo, ficou muito mais suscetível às falhas defensivas, como as que aconteceram nos dois gols Corinthianos. A velha história da água mole em pedra dura. Que quase nunca falha. O pior é constatar que tem torcedor que acha que todos os gols são culpa do goleiro. Vai saber.

É certo também que a ousadia de Ricardo Gomes em montar um meio campo de características unicamente ofensivas diminuiu muito nossa pegada. Além de não reter a bola, como é o esperado quando se têm jogadores do nível que temos, não conseguíamos sair do abafa. Os desafogos óbvios, as laterais, são habitadas por figuras nulas e isso gera uma dúvida assustadora: Como que vai ser? Márcio Careca e Fágner até o fim? É isso mesmo? Que nada... o Gerley vem aí...peraí? Ger..QUEM?

Ainda mais nulo que os dois, Diego Souza. Figura tão alheia à partida que é impossível até mesmo se irritar com ele. Não pega na bola, não é visto, não tem o nome narrado, nem mesmo as mais modernas câmeras televisas são capazes de achá-lo no gramado. O banco não parece questão de tempo, parece questão de bom senso. Faz o simples Ricardo: O meio campo ta sem pegada? Coloca o Eduardo Costa no lugar do Diego e adianta o Juninho. Qualidade, pegada e principalmente, onze jogadores contribuindo em campo.

Se o camisa 10 não consegue sequer nos irritar, o camisa 9 o faz com excelência. Ainda assim, a qualidade das atuações dos centroavantes comuns, como é o caso do Alecsandro, é estritamente ligada a atuação do conjunto. O time não criou e ele teve que vir buscar a bola para tentar participar do jogo e justificar o salário que recebe. Toda vez que o Alecsandro tiver que participar de outra forma que não seja esticar o pé para empurrar a bola pra rede, ele vai irritar.

Felipe é outro caso curioso. Convencido de que tem 33 anos de idade, joga bola que é uma beleza, mas tem vezes que ele decide operar em 46 anos. Ontem nem foi tanto o caso. Não estava em uma noite inspirada e como normalmente acontece, ele falha em não se dar conta disso. Tentou a todo momento enfiar bolas mágicas para os companheiros. Errou todas. Assim como errou Éder Luis, em vertiginosa queda de produção.

Ainda assim, se Ricardo Gomes conseguir novamente despertar a fome nesse elenco e com a melhor ambientação do Juninho, que será rápida como já esperava, é possível se manter no bolo de cima.

Enfastiados, de barriga cheia, sem tesão e com a certeza de que o pai está sentado na poltrona bebendo cerveja e não na forca, o Vasco vai só “ brincar no Brasileiro”.

Uma pena.

Quem sabe na Sul-Americana, com a possibilidade de um apetitoso título internacional, o Vasco resolva fazer uma boquinha.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cruz em Carne



O último ato do Rei diante de seu povo é representativo e , sobretudo, inesquecível .

Um tapa na gaveta e um beijo na camisa que defendeu como poucos. Emocionado, abre os braços e é reverenciado pelos companheiros e pela multidão. Era a despedida, a última glória de um reinado de vitórias.

De lá pra cá, Juninho ganhou o mundo.

Na França, mostrou a todos o que todo Vascaíno sabe desde o gol monumental: Estamos diante do maior batedor de faltas de toda história.

Resumi-lo dessa forma, no entanto, é dizer menos do que precisa ser dito. Juninho é muito mais do que um cobrador de faltas excepcional. Dinâmico, moderno, forte, habilidoso, preciso. Raro.

Na Seleção, mal aproveitado, foi sempre coadjuvante de luxo. Provavelmente o ambiente anti-profissional que viveu na Copa de 2006 o fez se despedir precocemente, antes mesmo da seleção não precisar mais dele.

Quando se foi, há 11 anos de saudade, levou com ele uma parte dos nossos corações.

De mim, levou também a eterna gratidão.

Juninho nunca deveu nada a nós, apesar de muitos terem cobrado sua volta como se obrigação fosse.

Tem gente que olha para o Juninho e só consegue ver 36 anos de idade.

Eu olho e vejo uma Cruz de Malta em pé, em carne e osso.

Você espera o mesmo Juninho de 10 anos atrás? Eu espero um ainda melhor!

Não falo de outros fatores em que ele certamente vai agregar. A Liderança, experiência, profissionalismo e principalmente o espelho da melhor qualidade que ele será para os jovens do elenco. Falo somente de futebol.

Futebol fantástico, aliás, o único que o Reizinho conseguiu aprender a praticar em toda carreira. Figura raríssima, para quem treinar trata-se de “um prazer”.

O sentimento Vascaíno entra em campo hoje, representado pelo o único que é capaz de personificá-lo à perfeição!

Um novo reinado se inicia!