terça-feira, 16 de agosto de 2011

Tô rumo ao PENTA e você nem viu!



“É utopia imaginar que o Vasco vai conquistar alguma taça esse ano. O fio de esperança é uma linha de delírio . Daqui a pouco começa o discurso de sempre: “ O caminho na Copa do Brasil é fácil até as semi-finais, sei lá”, “O time do Goiás que era uma M quase ganhou a sul-americana, a gente pode também”. Provavelmente embarcarei na conversa, como bom Vascaíno fundamentalista que sou. “

Esse parágrafo foi extraído de uma coluna minha em 11 de fevereiro, após uma das inúmeras e vergonhosas derrotas no campeonato carioca. Escrita em um momento de completa ira, acredito que revela uma passionalidade com a qual você certamente é capaz de se identificar. Prosseguia espinafrando todo elenco, duvidando da capacidade do recém chegado Ricardo Gomes e, fundamentalmente, esquecendo que o mundo do futebol pode dar voltas muito rápido. Falava, portanto, besteiras, como a maioria dos entendidos da televisão faz a todo tempo.

Em minha defesa, afirmo que no instante em que aquelas linhas pariam-se do ódio, julgo que fosse impossível para qualquer um ter a sensibilidade de que o momento que vivíamos seria fundamental para que a temporada vascaína tomasse rumos, àquela altura, mais que imponderáveis.

Precisávamos de uma verdadeira revolução, não só uma mudança. Não havia outro caminho a não ser agir e sair finalmente da letargia que parecia acometer a todos no clube. Sabe-se lá de onde, apareceu dinheiro e o elenco foi reformulado. No comando , a serenidade de Ricardo Gomes foi fundamental para o quadro de terra arrasada rapidamente se modificar.

A confiança voltou e os resultados foram aparecendo. Ainda no carioca, conseguimos nos recolocar na disputa, sendo derrotados pelo urubu nas penalidades da Taça Rio. Naquela altura, já não era nem mais delírio imaginar que poderíamos vencer a Copa do Brasil como vencemos. Após a conquista e a vaga assegurada na Libertadores, o clube promove o retorno de seu maior ídolo em atividade, a personificação de uma era das mais vencedoras da instituição.

Aí, o delírio passou a ser imaginar que esse time não se colocaria em todas as disputas que se seguiriam, como faz agora nesse momento. Empatado tecnicamente na liderança do Brasileiro, pode-se dizer que o Vasco reúne o necessário para que o time brigue até as últimas conseqüências, em condições de igualdade- quando não de superioridade, pelas duas taças que disputa.

Ao que dirão: Mas o elenco ainda apresenta carências, precisamos de laterais, de atacantes de melhor nível. Ao que direi: concordo, mas carências em seus elencos todos os times têm, passa longe de ser uma exclusividade nossa. E diria mais: o que não temos é infinitamente menor do que o que já temos.

A nossa grama é sem dúvida uma das mais verdes da vizinhança. Senão vejamos: Dois zagueiros de nível selecionável, um meio campo recheado de opções de qualidade tanto defensivamente quanto ofensivamente, dois maestros absolutamente extra-classes e a melhor bola parada do Brasil, que faz a diferença em um campeonato de tenso equilíbrio.

Acima foram elencados apenas os recursos humanos, mas o invisível conta muito no futebol. Temos hoje um grupo sem vaidades, sem quaisquer melindres, absolutamente confiante em suas possibilidades e, acima de tudo, consciente de que representa uma das camisas mais pesadas do futebol continental. A frase do meu pai, do qual herdei muito mais as letras do que a paixão pelo futebol, é emblemática: O Vasco agora voltou a ser grande, né?

Voltar não é a palavra certa, uma vez que é impossível retornar a uma condição da qual jamais se saiu. A grandeza do Vasco não conseguiu ser diminuída nem mesmo pela “politicália” que cerca o clube e tampouco pela escassez de conquistas. Faltava ao Vasco , isso sim, voltar a ter modos de gigante, justificando sua irrefutável condição. O resto seria conseqüência.

Antes tímida, a grande mídia já não consegue tapar os olhos para não ver. Somos uma realidade, é impossível negar, impossível não levar a sério a voracidade de um gigante que acaba de acordar e dá sucessivas mostras de estar faminto. O time não só quer, como transparece que quer e acredita que pode.

Eu tô rumo ao penta e você nem viu!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A prioridade é o jogo seguinte


O Vasco inicia nesta quinta-feira a saga em busca de mais um título internacional.

Um teste de grande importância para quem disputará a Libertadores, em 2012, com a obrigação de fazer uma campanha que calce os mesmos números da nossa esperança.

Após quebrar o jejum de dez anos sem títulos nacionais, o apetite se volta ao segundo título mais importante do continente.

Penso que a prioridade do Vasco no momento seja vencer sempre o próximo jogo. Conforme o desenrolar da temporada, admite-se até que o Campeonato Brasileiro e a Sul-Americana se postem em patamares diferentes. Até lá, como grande que somos, temos que brigar nas duas frentes.

A meta nesta quinta é conseguir um bom placar diante do Palmeiras e ir a São Paulo com a vantagem. No domingo, é vencer o Palmeiras e não deixar os líderes se afastarem.

O jogo de amanhã oferece boas oportunidades a certos jogadores do elenco.

Renato Silva faz sua estréia com a missão de provar que, se não está à altura inalcançável de Dedé, pelo menos é capaz de suprir dignamente a ausência. Confesso que preciso vê-lo para julgar. Apenas sei que é um zagueiro com rodagem por clubes grandes e que tem, indispensavelmente, Bob Marley na “playlist”.

Julinho ganha chance na lateral, mesmo que Ricardo Gomes não se convença que ele seja do ramo. Ao menos parece que nosso treinador chegou à conclusão óbvia de que persistir com Márcio Careca é dar razão aos que o criticam pela teimosia.

Elevado ao nível de xodó, Bernardo volta ao time após três rodadas. Substituirá Eder Luiz, embora suas características não sejam as mesmas. Terá mais uma chance de provar que pode ser titular do time, algo que não conseguiu nenhuma vez quando escalado entre os 11 iniciais. Perdemos em velocidade e “poder de chateação” pelo lado direito, mas ganhamos em finalização e raciocínio.

Se estes terão chance, nenhuma será maior do que a do artilheiro Élton, um caso curiosíssimo. Não foram poucas as vezes que vi nosso centro-avante ser achincalhado pela torcida em São Januário. Gritos, ofensas, xingamentos diversos e a velha “ Não tem condições de vestir a camisa do Vasco” foram proferidos ferinamente pela torcida em sua direção.

Mas o tempo passa e, as terríveis atuações de Alecsandro, fizeram de Élton uma espécie de salvador. Argumentos para atacar Alecsandro, convenhamos, o próprio nos deu. Não domina direito uma bola, perde gols, erra passes.... mas, peraí, isso é o rascunho do Élton!

Que venham pedras, mas eu vejo o Alecsandro como mais jogador que Élton, apesar de considerá-los bem próximos. Entendo também que futebol é momento e, se o do Alecsandro é flagrantemente terrível, nada mais justo do que o nosso artilheiro da Série B ter sua oportunidade.

Sem saber como encerrar esse texto, termino dizendo que fazia tempo que não ficava tão feliz com o futebol e com o Vasco como estou ultimamente. Em que pese as pequenas discordâncias, uma ou outra corneta, o quadro geral da torcida é de satisfação.

O Vasco finalmente voltou a ser respeitado e levado a sério nas disputas que participa. E mais que isso, voltou a ter a confiança da própria torcida que, sem constrangimento, aponta o time como favorito em qualquer competição.

Vencer títulos daqui para frente será apenas conseqüência.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O que vem de baixo atingiu




São poucas as coisas que conseguem ser piores que o lamentável pasto que chamam de “Gramado do Engenhão”.

Uma delas é o Márcio Careca. É mais fácil nevar em Copacabana do que este cidadão conseguir me convencer que é jogador de futebol profissional. Quando Ricardo Gomes resolveu corrigir o grave erro, já tinha ido tudo para o brejo e o Vasco já perdia por 3 a 0. Não se pode dar ao luxo, nem mesmo contra o Botafogo, de jogar com menos um.

O Vasco adotou a postura de sua torcida e desconsiderou o Botafogo. Entrou certo de que venceria, apoiando-se no incontestável fato de ser amplamente superior. Esquecendo-se, logo, que para chegar à condição em que hoje está, teve que suar sangue com todo mundo. Não suou e perdeu.

Para mim, selou sua derrota logo ao levar o primeiro gol. Quem me acompanha conhece minha tese: Gol de escanteio não existe. É sempre produto da falha e desatenção, nunca de mérito. Explico: Primeiro que o ataque tem a missão de desviar a bola para um lugar específico enquanto que a zaga pode espanar para qualquer lado. Segundo, e principal, é que vale, atenção, VALE segurar o adversário pela camisa e impedi-lo de chegar a bola. Rômulo só acompanhou e Antônio Carlos desviou pro gol.

Quando o Vasco começava a mostrar a maior técnica que possui, o Botafogo fez o segundo com Abreu, após belíssima jogada do ótimo Cortez. Explorando a inexistência daquele- que- não- deve –mais- ter- o- nome- pronunciado, nasceu o terceiro gol, também de Abreu. O quarto gol, da humilhante derrota( Só é possível perder de uma única forma para o Botafogo- seja de um ou de 30 gols- Humilhado), veio no fim.

O segundo tempo do Vasco foi melancólico. A equipe conseguiu produzir ainda menos do que fez no primeiro tempo. Nenhuma inspiração e transpiração muito inferior a necessária para se reverter um quadro desastroso.

E para piorar, Diego Souza foi expulso. Expulso, tão somente, por ser quem é. Qualquer outro que não fosse ele, Kléber ou Carlos Alberto, teria sido. Os árbitros adoram um rompante de rigidez contra esses citados. É fácil expulsá-los: Os Jucas Kfouris darão sempre razão. Sabedores disso, esses jogadores devem ter cuidado especial. Colhe-se o que planta. É preciso rezar a cartilha para não ter erro: Não reclame e, quando o fizer, que o faça empregando o vocabulário da Congregação das Irmãs Carmelitas, se muito.

O meio campo vascaíno em momento algum, salvo nos 10 minutos posteriores ao primeiro gol, funcionou. Sem conseguir trocar passes em meio às trincheiras que chamam pitorescamente de” buracos do Engenhão”, Felipe foi pouco produtivo, Diego não conseguia dar seus dribles. Rômulo ficou perdido com a mudança de posição e Jumar não foi eficiente como vinha sendo. Sem criação, Alecsandro nada pôde fazer. Dominar a bola parece missão impossível para ele até mesmo em tapetes, naquele campo...

Com a defesa desprotegida, a inexistência de um lateral , perdão, a inexistência de um jogador profissional pelo setor esquerdo do campo,o Fágner levando um baile do Cortêz, somadas a boa atuação do conjunto alvi-negro, tudo foi estourar na conta da melhor dupla de zagueiros do Brasil, que sucumbiu junto com todo time.

As derrotas sempre ensinam alguma lição valiosa e a de ontem veio em forma de bê-a-bá:
Nunca menospreze o adversário- mesmo que ele não vá brigar, não brigue e nunca tenha brigado por nada na vida. Superioridade tem que ser provada com humildade, jogo a jogo.

Seis pontos do líder, faltando 23 rodadas? Para mim empate técnico!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Maturidade de Campeão!



Diferente da maioria dos jogos em que sai na frente, o Vasco ontem teve postura de time campeão exercendo a arte de segurar um resultado.

Não sou contra quando um time sai na frente e passa a se resguardar um pouco mais para garantir os três pontos, ainda mais quando o faz na casa do adversário e com extrema competência.

Segurar uma partida não significa se enterrar na área e vencer na bacia das almas. E ontem deu gosto de ver. Ao abrir o placar com o golaço de Éder Luiz, após belo passe de Diego Souza, o Vasco melhorou em campo. Passou a trocar passes com um pouco mais de tranqüilidade e enervar o jovem time São Paulino, que não conseguia se livrar da forte marcação que impusemos.

O menino Lucas, cansado de perder bolas, ora para Jumar, ora para Rômulo, resolveu fazer companhia a Dagoberto, fazendo do bolso de Dedé moradia. Os três jogadores, aliás, são os meus destaques na vitória.

Rômulo com regularidade e precisão impressionante nos desarmes . Jumar provando que até segunda ordem é titular, seja no meio campo ou em qualquer uma das laterais. Um lance dele para mim coroou a grande atuação: Quando, no fim, leva o cartão amarelo, ao parar contra-ataque puxado por Marlos. Admiro o jogador que sabe fazer uma falta quando necessário, sem violência, sem pontapé, sem machucar o colega de profissão. Futebol não é só gol e bons jogos não são feitos exclusivamente por isso.

E, claro, Dedé, jogando em um nível mitológico, sem perder sequer um lance, fosse por cima, fosse por baixo. Irritantemente monstruoso. Provando que merece a convocação e quebrando ao meio meia dúzia de cornetas, que dizem que ele não é “tudo isso”.

Diego Souza também merece menção honrosa. O camisa 10 me parece um jogador mais dependente da confiança do que qualquer outro. Após acertar o passe do gol, se encheu de moral e passou a dar as cartas no meio, acertando bons dribles, passes e criando lances de perigo.

E tanto trabalhar bem a bola, a maturidade Vascaína foi coroada com um belo gol no fim. Jumar trocou passes com Felipe e o Maestro bateu no ângulo com estilo. Ele que substituiu Juninho, em tarde pouco inspirada, e inegavelmente melhorou o time, fazendo com que a posse de bola ofensiva fosse aumentada.

Na última vez em que havíamos vencido no Morumbi por Campeonatos Brasileiros, em 89, nem precisa lembrar que Sorato nos garantiu o Bi. Se seremos novamente Campeões Brasileiros? Não sei, acho plenamente possível. E melhor, tenho certeza de que não for esse ano, será em breve. É um processo de amadurecimento. Confesso que depois de anos de sofrimento, é tão bom ver o Vasco sendo pelo menos cogitado. Veja você: A palavra rebaixamento pelo primeiro ano dos pontos corridos, não fez parte do nosso vocabulário uma única vez.

Quarta-Feira o Santos vem pela frente, em São Janú, e, pelo amor, não se pode vacilar. Temos que seguir na toada, confirmando a cada rodada nossa condição. E o Neymar que se cuide, porque ainda tem muito espaço no bolso do Dedé- Indubitavelmente o melhor zagueiro em atividade no futebol Brasileiro.