domingo, 26 de fevereiro de 2012

Não pode e não vai!






Esperava o título da Taça Guanabara para me manifestar pela primeira vez no ano sobre o promissor time do Vasco.


Acredito que há essa altura já temos um objeto para um comentário mais elaborado.


Infelizmente o título não veio, mas ele não apaga o valor da caminhada até aqui.


Apontar culpados na derrota é fácil- o primeiro instinto- e poucas vezes totalmente explicativo.


Cristovam, como sugere o nome, será o primeiro crucificado.


A rigor, enxergo apenas um erro dele, sistemático ,aliás.


Escalar Felipe Bastos de titular. Ainda assim, é possível entender.


Sem Rômulo,sem Alan, sem Jumar( Meu Deus, que falta faz o Jumar!) somente o Bastos tem características para contrabalancear um volante pesado, e péssimo, como o Nílton. Embora ele também seja fraco, se movimenta e cobre uma área maior do meio campo com sua correria, que, no entanto, de nada adianta quando incoerente.


Felipe e Juninho não podem jogar juntos. Até a segunda página.


Contra times modestos do Rio e até mesmo da Série A, a utilização conjunta provavelmente é a melhor alternativa de jogo que podemos ter.


Contra o Fluminense, na Final da Taça Guanabara,naturalmente que não.


O Fluminense é forte ao nosso nível, com vantagem considerável em termos de elenco.


Titulares diante de titulares, tenso equilíbrio, porém.


Logo, o jogo é igual como se esperava.


Wellingnton Nem fustigava no ataque e incomodava a atuação de Fágner ,uma das nossas principais peças. Deco, com a liberdade muito acima da recomendável, organizava o time.


Pelo Vasco, Juninho cumpria a mesma função do craque tricolor, com a mesma excelência. Willian Barbio, lépido, agressivo, cheio de personalidade, era quem perturbava a zaga adversária.
E por ser essencialmente um jogo, muito mais do que um esporte como os outros, a sorte é variável fundamental para determinar o destino da história.


Circunstâncias falam muito mais alto que estatísticas.


Esse conceito é conhecido como “Se”.


Se a trave fosse mais generosa no chute de Diego Souza, tudo poderia ter sido diferente.


E, além de não ser, na sequência do lance, penalti a favor do Flu.


O 1 a 0 ainda nos mantinha muito vivos no jogo.


O 2 a 0, desenhado em chute primoroso de Deco, dava contornos mais decisivos.


Alterou-se todo o planejamento que se poderia ter para uma virada organizada.


Organização que tentou ser mantida até o terceiro gol, outro de Fred, com contribuição relevante de Rodolfo.


Enquanto ele não entender o que é jogar no Vasco, deve ser banco de Renato Silva, aliás, como já deveria estar sendo.


Mais do que as falhas, várias até aqui, o mais irritante é a soberba dele de comedor de mortadela e arrotador de caviar.


A partir dali, pouca coisa havia para ser feita.


Colocar Felipe naquele momento exporia o time ainda mais.


Cristovam optou por impedir que a derrota, inevitável, se tornasse um vexame.


Preocupação, cá pra nós, das mais pertinentes diante das circunstâncias.


E por isso pôs Eduardo Costa no lugar de Bastos.


Não havia e nem haveria de ter mais nenhum esquema tático naquela altura.


Com coração, Dedé abandonou a zaga e o fez porque pareceu uma solução desesperada, normalmente as únicas que dão certo num momento de desespero.


O Fluminense perdia a chance de nos impor uma derrota histórica.


O juiz, bom, quer dizer, mau, o juiz era Marcelo de Lima Henrique e, mesmo que não tenha cometido erros para influenciar o resultado, minava os ataques do Vasco marcando faltinhas em disputas físicas entre zagueiros e atacantes grandões. Como é mesmo o nome disso? Ah... sim, Futebol.



Da cabeça de Eduardo Costa, sai o gol que diminui a vantagem, que reascende a chama da esperança nos corações mais apaixonados. Felipe já está em campo. Àquela altura, o vexame já havia sido evitado. Era prudente colocá-lo.


Dedé cabeceia a bola na trave. Alecsandro,da pequena área, não consegue vencer o goleiro adversário. O gol que poderia expor tacitamente toda a maluquice que pode ser a história de um jogo de futebol, não acontece.


Time de pouca sorte o Vasco.


Vencido na primeira estação por um adversário tão bom e tão merecedor quanto.


Vencido por detalhes, porque um lado precisa comemorar e ao outro cabe o lamento.


Cabe a nós imaginar o que separava o destino se aquilo e não isso tivesse acontecido e, porque não, dar vazão ao estridente som das nossas cornetas.


Ainda resta mais um turno a ser percorrido, ainda é possível bater campeão e não há quem possa duvidar que podemos vencer o carioca. Peças cruciais como Éder Luiz e Rômulo irão retornar.Tenório e Abeleiras se juntarão a nau.Teremos mais opções e mais qualidade.


A Taça Guanabara é importante para garantir um segundo turno mais tranqüilo e uma vaga na decisão que será lembrada.


O elenco do Vasco permite, comprovadamente, que a fase de classificação da Taça Rio seja tranqüila da mesma forma.


O foco, como deve ser e sempre foi, é a Libertadores.


Não tem dilema, não tem conflito de interesse.


Se a Taça Rio puder atrapalhar a campanha na Libertadores, deve ser descartada e o Campeonato Carioca tratado pelo tamanho que tem: o menor e menos importante da temporada.
Para um primeiro momento, o desempenho do Vasco é satisfatório.


Existem problemas, existem desfalques, mas existem muito mais virtudes, existe, por exemplo, a grata surpresa que é o Willian Barbio. Moleque sem medo, com a cara do Vasco.


A derrota não pode apagar o trabalho excepcional e o valor do time brioso que temos.


Não pode e, depois de passada a tormenta e soadas as trombetas do apocalipse, não vai.


Temos um time, temos camisa, temos torcida, temos profissionais e, acima de tudo, homens nos representando.


Não tem como dar errado.


E não vai!