segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Campeonato Japonês


Das três partidas que o Vasco fez diante do Corinthians esse ano, a de ontem com certeza foi a pior.

Fomos dominados por um time muito bem armado pelo Tite em dois terços do jogo e  é importante o registro: A vitória sempre esteve mais próxima deles do que de nós.

Não demos um chute perigoso pra porcaria do gol!

E para quem não deu chute no gol, a mediocridade do zero a zero ficou de bom tamanho.

Também não foi um vareio paulista. Bastante longe disso.

Tanto não foi, que tirando a cabeçada do Douglas no último lance do primeiro tempo, à rigor a única chance clara da partida, nada mais aconteceu.

Jogo amarrado, brigado, muita marcação, muita disciplina, muita transpiração e pouquíssima inspiração. Assim também foram os confrontos pela Libertadores, mas a diferença é que naquela oportunidade o Vasco até flertou com a vitória. Roubou um beijo no Rio e chegou até a segura-lá pelas ancas em São Paulo.

Ontem nem isso.

O Corinthians é o time mais difícil de ser batido no Brasil atualmente.

Os caras não tomam gol cara! Simplesmente não tomam! TODOS os jogadores do time viram primeiro volante sem a bola e todo mundo sabe o que fazer com a redonda no pé.

Parece um time de japonês que sabe jogar bola, manja? Uma disciplina nipônica irritante! Quase impossível iniciar um ataque sem que todos os jogadores já estejam bem posicionados, guarnecendo a defesa.

Para vencê-los, para cumprir a tarefa hercúlea que é fazer um gol nesses caras, é necessário velocidade. Toque de bola  rápido e preciso.

Não dá pra fazer isso em São Januário. O então melhor gramado do Rio de Janeiro, um dos nossos orgulhos, é uma vergonha atualmente. VERGONHA com todas as letras maiúsculas!

Se o campo atrapalha o desempenho de nossa majestade, calcule o impacto que causa no desempenho das 21 figuras mortais que  compartilham o gramado com  ela.

Como cê vai tocar a bola rápido, com precisão, dar tapa de primeira, conduzir, driblar, tendo que se desviar de um monte de trincheira e de um monte de maluco correndo atrás, dando botinada? Não dá! Então não vai dar pra ganhar do Corinthians, a não ser num lance fortuito, num escanteio, numa faltinha, numa jogadinha dessas, que ontem infelizmente não rolou

O gramado de São Januário ( e outros tantos, sejamos justos) potencializa o termo “domínio de bola”.

O cara tem que realmente dominar a bola, matar a bola, assassinar a bola! Por que ela chega viva, serelepe, toda crackuda e sem rumo. No que tu vence o duelo com a bola, o que nem sempre  é possível, tu segue brigando com o campo tendo que  passar do Paulinho, do Ralf, daquele pentelho do Jorge Henrique. Tá dendágua.

A adversidade do campo é pra todo mundo, também atrapalhou o Corinthians, e claro, o bom futebol. Que também foi atrapalhado pelo juiz, que nem tendeu pra um lado nem pra outro. Ele era simplesmente horrível. Horrível pra nós, pra eles, pro espetáculo. Não satisfeito em ver o gramado amarrar o jogo, resolveu ele também embolar as coisas um pouquinho mais.

Mas vamos falar de coisa boa, por que elas existem. 

Já são seis jogos sem tomar gol. Não é pouco. Douglas assumiu a titularidade e , mesmo sem a companhia de Dedé, fez novamente ótima partida.  Está ganhando confiança e cresce a cada partida. Me lembra, sem exagero, o inicio do Dedé.  Promete o garoto. 

A organização defensiva, como um todo, é elogiável, e começa lá da frente. Também somos um pouco japoneses bons de bola como o Corinthians. Talvez um pouco mais bons de bola, mas um tantinho menos japoneses.

O ataque, no entanto, perdeu força. Muita força. Não só pela ausência do Diego Souza, mas principalmente pela ausência  espiritual do Éder Luiz. O corpo tá lá, eu posso ver. Os dentinhos separados, aquela cara de pescador, mas o tônus foi embora. E isso é muito, se lembrarmos que há nem tanto tempo atrás o Éder Luis era “A nossa jogada”.

Que jogada tinha o Vasco? Correria do Éder Luis! Mas nada que o Chico Bento tenta dá certo. Diferente do que acontecia antes, quando a bola chegava nele e o ataque nascia, crescia, evoluía e muitas vezes morria dentro do gol do adversário, hoje chega nele e morre. Chega nele e morre. Meu amigo Kadu disse algo interessante: “O Éder Luis já errava várias quando ele jogava bem, agora que ele num tá jogando nada....” Pois é. Um banquinho não faria mal ao meu querido Éder Luis. Ele vai viver! Ele tem que viver!

Mas vivo mesmo está o Tenório! Entrou pilhado no jogo contra o Corinthians e a partir dele, o Vasco viveu seu melhor momento dentro do jogo. Mesmo que não tenhamos criado nada, a presença do Tenório trouxe maior presença ofensiva ao Vasco. Ele brigou, dividiu, fez falta, caiu, levantou, tentou tabelar, driblou, caiu de novo, correu pra tudo que é lado. Ótima reestreia, ainda mais diante do tempo que ele ficou parado. 

Parado não, epa! O cara não ficou parado um segundo, dormia e acordava na fisioterapia e por isso já tá na pista de novo!  Simplesmente não tem como o gringo dar errado! Com certeza vai ajudar muito e pode ser a solução que tanto buscamos para o ataque. Que assim seja!

No mais, um pontinho mais. Meio de semana é o Sport lá na Ilha, outro campo safadinho, outro jogo que promete ser difícil, outro jogo em que o Vasco entra como favorito. Tirando um ou outro, ser favorito é regra pro Vasco. Quando não somos, estamos de igual pra igual.

Que alegria esse Vasco da Gama! Sempre Rumo ao Penta.

@joao_almirante