quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Juninho não temeu ser "escudo", temeu ser a lança


Juninho voltou ao Vasco para cumprir uma dívida, segundo suas próprias palavras.

Isso já me intriga

Então é disso que sempre se tratou, Rei?

Dívida?

Não, não...

Naquele sábado mágico em São Januário do seu retorno ninguém estava lá de credor...

Ninguém estava em dívida com ninguém. Estávamos em estado de graça, apenas celebrando nosso título, nosso rei, nosso resgate!

E foi assim com você, Rei!

Todos os dias de sua passagem celebramos sua presença e o privilégio de tê-lo novamente conosco.
Sua entrevistas, mesmo agora, continuam serenas.Tem mesmo o dom da palavra esse Pernambucano rei da bola...

Entender a decisão de Juninho, o direito soberano a ela? Entendo, é claro.

Não me interessa discutir o direito, todo mundo tem direito ao próprio nariz, a escolher o que acha melhor pra si. Se ele acha que o melhor é se aposentar tranquilão nos Estados Unidos, dinheirão no bolso em dia, jogando bola na panela do Henry contra um monte de cego...muito que bem.

Mas a torcida tem direito de ficar magoada, decepcionada, e ainda bem que, segundo o próprio Juninho, ele “respeita opiniões”, respeita quem fica decepcionado, como eu.

É claro que bate a decepção! Juninho é um cara tão foda, mas tão foda, que a gente sempre espera que ele tome a atitude mais foda possível. E é duro quando a projeção não bate com a realidade.... dos comuns esperamos atitudes comuns, dos ídolos esperamos mais, esperamos tudo. Ônus  e Bônus, nego.

Juninho não temeu ser o “escudo”, como disse.

Temeu e abdicou de ser a lança de que precisamos. Na hora em que mais precisamos!

Pelo que entendi, seria uma vergonha para ele ajudar a reconstrução do Vasco em um time modesto, uma mancha em seu irrepreensível currículo. Pelas suas declarações finais, deu a entender que é um adeus ao Vasco definitivo, a “dívida” está paga...ele veio jogar apenas seis meses para pagar a “dívida”.

E a gente aqui sonhando com a despedida magnífica, uma aposentadoria/cargo de diretor, um convívio eterno com o Rei.

Sou grato, claro, a tudo que esse grande profissional representou na história do Vasco e na minha vida de torcedor em especial. Suas conquistas e sua postura enquanto vestiu nossa camisa, ninguém apaga, nem mesmo ele se quisesse.

Estou tranquilo quanto ao meu compromisso e, talvez, a “dívida” que tinha com você. Honrei todos os dias o contrato que assinamos sem caneta e sem papel. E ninguém poderá dizer que você não honrou também. Foi recíproco.

Pelo menos enquanto durou o seu de papel.  

Espalhei pro mundo a felicidade de ter a Cruz de Malta de chuteiras no nosso modesto, e “sujo” convívio todos esses breves dias...

Mas... Desculpa. Por mais que meu cérebro entenda esse rompimento, eu não penso só com ele todo tempo. Minha opinião nesse caso é passional, e não me diga que ela é menor por isso, e vê o meu lado.  O Juninho vê o dele, eu vejo o meu. É justo.

O Vasco que também vá correr atrás de ver o seu.

Encontre seus caminhos e produza novos ídolos.

Que não temam a coroa.

@joao_almirante